segunda-feira, 15 de maio de 2017

Como começou minha paixão por viagens!


Seria trágico se não fosse cômico! Ou seria cômico se não fosse trágico?
Sabe aquelas histórias tristes com final feliz? Tipo novela? Aquela mocinha que sofre o filme inteiro e no final está feliz e saltitante com seu príncipe encantado que afaga sua linda barriga de grávida?
Pois é! Minha história foi mais ou menos isso, porém ao invés de casar com um príncipe encantado, casei com uma mochila e com o mundo.

A minha história era para ter o mesmo rumo da história dessa mocinha que encontrou seu príncipe encantado. Vamos nomear essa mocinha de Gertrudes, para facilitar o entendimento.
Tudo na minha vida andava dentro da normalidade (tirando o fato de eu quase ter morrido por conta de uma embolia pulmonar). Emprego, família, namorado, amigos e por aí vai. E as coisas iam tomando seu rumo. Assim como na vida de Gertrudes!

De repente, sem aviso, aconteceu algo que eu nunca imaginava que aconteceria comigo. Algo que mudou para sempre minha vida. Já tinha ouvido falar de muitas pessoas que passaram por isso, e cada uma se adaptou de uma forma. Enfim, quando eu menos esperava, esse fato apareceu, mais rápido que o Papaléguas correndo do Coiote! Pois é... tomei galho! Diversos, de vários tipos e tamanhos. Descobri que eu era corna, e MUITO corna! E minha história não teria o mesmo final que a história feliz da Gertrudes. Bom... tudo tem sua primeira vez, e quem aqui nunca tomou um galho hein!? Feliz é quem nunca levou um!

Aquilo doeu muito! Doeu mais que injeção de penicilina, mais que bater o dedinho do pé no canto da mesa. Minha única vontade era sumir disso tudo, dessa dor, sumir pelo mundo com uma mochila nas costas...Rá!!! Já matou a charada né? 
É, foi aí que descobri que o meu ex não era a paixão da minha vida... que o mundinho que ele me deu era pequeno demais para mim.

Comecei a materializar minha vontade de cair pelo mundo. Por hora, decidi começar pelos nossos queridos países vizinhos. A ideia inicial era viajar com mais dois amigos, mas devido a particularidades de cada um, eles desistiram. Mas a ideia não me saiu da cabeça e comecei a procurar companhia na internet para fazer meu primeiro mochilão. A essa altura do campeonato, eu já estava tão empolgada e envolvida com a ideia da viagem, que já não lembrava mais da existência daquele ser que me fez sofrer tanto, vulgo ex-namorado.

Encontrei 3 incríveis serumaninhos na internet para viajar comigo, os quais mantenho uma amizade até hoje! Nos conhecemos no aeroporto e seguimos viagem. Foi insanamente incrível!

Bom, o restante da história vocês já devem imaginar. Cai na estrada e viciei. O que inicialmente era uma fuga se transformou em uma grande paixão. Mas aprenda uma coisa: uma viagem não vai resolver seus problemas, você vai voltar de viagem e todos os problemas estarão aqui te esperando, com um grande cartaz de boas vindas e um balde de água gelada. Porém, você voltará com uma mente mais aberta, e será capaz de absorver tudo de uma forma diferente. Inclusive saberá como enfrentar todos esses problemas de uma forma mais leve e tranquila.

Bom... quanto aos meus galhos, enterrei-os e tratei de esquecê-los muito antes de embarcar. E quanto ao meu ex tenho apenas duas observações: primeiramente um muito obrigada! Aquele galho me deu uma vida nova, e com certeza evolui muito por conta disso. E a segunda observação é outro muito obrigada! Muito obrigada por me dar a oportunidade de me descobrir, de saber quem eu realmente sou. E como dizem, até um pé na bunda te empurra pra frente!

Mas Luisa, a Gertrudes foi feliz com seu príncipe encantado e seu lindo bebê...você não pensa em ter uma vida como a dela?
Fico feliz pela Gertrudes! Ela é muito merecedora da sua felicidade. E cada um acha a felicidade onde o destino reservou. Entendo que as pessoas podem ser mais felizes com outra pessoa ao seu lado, mas primeiro aprendi a me amar. E sim, espero um dia ainda encontrar um parceiro ou quem sabe ate mesmo o mochileiro das galáxias pelo caminho, para seguir pelo mundo ao meu lado e quem sabe tenhamos um mochileirinho a tira colo... quem sabe! E se eu não o encontrar, é porque eu tenho outro propósito nesse planeta.

Enquanto isso, a vida segue com muita coisa boa para fazer.
E repito...uma viagem não vai resolver seus problemas, mas certamente vai te ajudar a encontrar outras saídas!

Viaje! Permita-se!



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pucón - a pequena e encantadora cidade ao redor do vulcão Villarrica




Minha passagem por Pucón foi cheia de emoções...primeiro por ir a uma cidade tão meiga, cheia de charme, dessas que faz o coraçãozinho amolecer mais que paixão de adolescência. Segundo por ser meu porto seguro após um terremoto no Chile. Terremoto? De novo? Pára tudo! Miga sua louca, explica esse história! 
Vou explicar...pelo segundo ano consecutivo, fugi de um terremoto durante uma viagem. No ano anterior, peguei um terremoto no Peru, voltando de Machupicchu, e nessa viagem fugi de um terremoto no Chile! Mas peguei um vulcão em atividade.

Coitado do meu anjo da guarda...sempre passando perrengue! Logo ele se revolta e pede férias!

O meu sumiço e da Liz na nossa chegada em Pucón gerou alvoroço aqui no Brasil. O fato é que um dia antes estávamos em Valparaíso, cidade que foi atingida por um terremoto de 8,4 graus logo que saímos de láDevido as horas de translado de Valparaíso até Pucón, e o tempo dos passeios na cidade, ficamos por várias horas "sumidas" do mundo virtual e de qualquer tipo de comunicação. Estava eu e a Liz em um restaurante, ela tomando seu drink e eu uma cerveja local, até que vimos na televisão a notícia do terremoto em Valparaíso...a cidade ficou destruída, foi triste. Mas nós já estávamos bem longe de lá.
Logo imaginamos que o povo aqui do Brasil estaria preocupado. De fato, conectamos no wi-fi do hostel e o celular travou de tanta mensagem e ligação. O pessoal aqui surtando de preocupação e nós duas super alegres e saltitantes passeando e bebendo!

Bem belas e saltitantes sem saber do terremoto
Chegamos em Pucón com muito frio, -3 graus! Sem contar aquele vento que levava a temperatura mais abaixo ainda. Nos hospedamos no Pucón Hostel. Super recomendo. Você vai pagar um pouco a mais do que os outros, mas nada que uma boa negociação não resolva! O hostel é muito bom. Lá quem nos atendeu foi o Marcelo...um cara gente boa, que falava pelos cotovelos e usava umas roupas bizarras. Dessas figuras que você acha que saiu de uma história em quadrinhos. Nos ajudou bastante, deu várias dicas, mas a gente tinha que fugir dele porque quando começava a falar não parava mais!


Nosso objetivo em Pucón era escalar o vulcão Villarrica. Mas o queridão estava em atividade, logo não foi possível fazer o passeio. Olhar para o vulcão a noite era lindo...dava para ver a parte de cima dele avermelhada. Coisa de filme!
Trocamos a escalada por uma tarde de esqui na base do vulcão...foi lindo, cada tombo histórico, cada situação bizarra, mas ao menos garantiu boas risadas. Esqui é mais um dos esportes que entrou na lista das atividades que eu sou muito ruim mesmo! 
Além do esqui, fizemos um passeio por algumas quedas d'agua e águas termais lá na cidade.


Águas termais

Se tem algo que eu detesto, são esses passeios comprados por empresas locais, o qual você passa por uns 10 hotéis para buscar todo mundo, tem um tempo muito limitado para ficar nos locais e geralmente tem um guia com piadas sem graça tentando agradar. Sempre fujo disso e tento fazer por conta própria, porém dependendo do lugar não tem como. Esse passeio nas águas termais foi um desses casos, o qual precisei comprar em uma dessas agências. O guia de fato era muito chato, mas o passeio até que valeu muito a pena.
Nesse dia compramos um tour por algumas quedas d'agua e águas termais. Considerando que eu moro em Santa Catarina, e temos várias belezas naturais aqui, as quedas d'água não me surpreenderam. Mas a parte das águas termais valeu muito! O lugar é lindíssimo, tem uma boa estrutura e você sai daquela água se sentindo outra pessoa. E a água é incrivelmente quente! Uma delícia! 



Eu e a Liz ficamos um tempão dentro da piscina das águas termais. Depois colocamos toda a roupa, porque estava muito frio fora da água e ficamos passeando pelo local, onde tem uma vista belíssima...e um balanço...você se sente na quinta série de novo...




Esqui no vulcão Villarrica

Já que não foi possível escalar o vulcão, optamos por esquiar...ou melhor, tentar esquiar! Depois desse dia descobri que sou incrivelmente ruim para isso. Mas valeu a brincadeira, meu mal jeito para esquiar rendeu boas risadas para quem assistia. Encontramos uma turma de cinco brasileiros e um alemão, e partimos para o esqui. Não vou mais entrar em detalhes, vejam por si mesmos...assistam o vídeo abaixo e entendam o real significado de vergonheira master e da expressão "Foi assim que Napoleão perdeu a guerra".


video


Na volta do passeio paramos em um barzinho e tomamos um chopp com o pessoal da trip. Para mim, essa é uma das melhores partes de um mochilão...as pessoas, as culturas que conhece.
Depois disso fomos em busca de passagem para San Martin de Los Andes (mais uma cidade super meiga da Patagônia). De San Martín partimos à Bariloche.

Compramos as passagens pela Iggilaima.


 
Pucón ganhou um espaço especial no coraçãozinho da loira aqui. O lugar é uma delícia, lindo demais. O vulcão Villarica cerca a cidade, de qualquer ponto você vê ele bem lindão, coberto de neve. Pucón é uma cidade pequena, pode-se fazer tudo a pé. Para quem procura agito, esquece. A noite de Pucón é bem pacata, no máximo você consegue alguns barzinhos.
Vulcão Villarica ao fundo



Vulcão lindão!



Gastos em Pucón:
O Chile não é um dos países mais baratos da América do Sul. Mas vale cada centavinho gasto, vai por mim! Segue abaixo principais gastos (viagem feita em 2015):
Pucón Hostel: 10000 pesos (pechinchando muito!). Vi gente se hospedando em hostel que custava 7000 pesos, porém não eram muito bons.
Passeio nas águas termais: 18000 pesos
Esqui no vulcão Villarica: 18000 pesos
Alimentação: isso varia do seu gosto e exigência. Eu gastei desde 4500 pesos até 18000 pesos.

Minhas observações sobre o Pucón Hostel:
Você encontra mais baratos, porém pechinchando conseguimos baixar o preço. Super recomendo esse hostel, é bem localizado, limpinho e super confortável. Fica em frente a rodoviária e praticamente na esquina da rua principal de Pucón.



quinta-feira, 30 de março de 2017

Algumas coisas que nunca vão te falar sobre viagens de mochilão



Você sabe quanto custa ver a super lua ao anoitecer no deserto do Atacama? Consegue estimar preço para ver um céu com tantas estrelas e tão próximo a ponto de achar que pode tocá-las com seus próprios dedos? Ou ainda, sabe quanto custa brincar com llamas pelas ruelas de Machupicchu enquanto elas tentam roubar sua bolacha waffer?

Talvez te custe aquela bota de couro que você tanto tá querendo, ou aquela noitada regada a bebida e ostentação...ou ainda aquele carro com cheirinho de novo, aquele mármore lindo na sua pia do banheiro, ou aquele perfume importado que todos a sua volta elogiam.

Talvez você esteja disposto a largar tudo isso para colocar o pé no mundo. Ou talvez você corte apenas alguns gastos supérfluos em troca de uma viagem uma vez ao ano para algum canto que goste. Esse canto pode ser aqui do lado ou do outro lado do mundo. Ou ainda prefira nunca viajar e ter um carro zero super confortável...afinal, o dinheiro é seu e você usa ele da forma que mais te faz feliz.

O que acontece é que a maioria das pessoas que não tem o costume de viajar, se questiona muitas vezes: porque eles gastam tanto com viagem? Isso é dinheiro jogado fora!

Bom...primeiramente, você não precisa ser rico para viajar...se você estiver disposto, pode ficar em hospedagens baratas (hostel, albergue, couchsurfing), comer comidas baratas, ou ainda cozinhar sua própria comida. Não, isso não é um sacrifício e muito menos sofrimento...andar de transporte urbano nas cidades aí afora também não vai te cair um braço!

Mochilão é muito mais que um hobby, muito mais que uma viagem de “modinha”....é um estilo de vida, um estado de espírito, uma conexão fantástica com a natureza e o mundo.

Certamente algumas vezes você terá fome, ou vontade de comer aquela comida maravilhosa do melhor restaurante da cidade...e vá terminar o dia com um prato de miojo. Talvez seus pés reclamem de cansaço, e algumas bolhas te acompanhem pela viagem. Talvez você se meta em furadas, e talvez você não imaginava que aquele hostel era tão ruim a ponto de preferir ficar na rua. Talvez o peso da mochila canse suas costas. Mas seu coração, seus olhos e sua mente nunca se cansarão. 

Nada no mundo vai pagar a emoção que senti sendo pega de surpresa pela super lua ao anoitecer no deserto do Atacama. Nada paga o preço de ver as estrelas do céu do Salar de Uyuni de madrugada, tão próximas aos meus olhos, e sem dúvida o céu mais estrelado que já vi na vida! Foi lindo, mesmo suportando 18 graus negativos no meio do deserto. Ver a borda de um vulcão em erupção à noite, toda vermelha, em uma cidade tomada pelo gelo paga todos os pratos de miojo que já precisei comer. As várias cores do mar do caribe...ahh o mar do caribe...minhas costas até esquecem o peso da mochila. Aquela pessoa que mora do outro lado do mundo, e virou seu melhor amigo ao dividirem uma mesa de hostel para jantar, essa você nunca vai esquecer. Aquele nativo que te ajudou enquanto você estava perdido pelas ruas de uma cidade qualquer e ainda te deu muitas dicas do local, você vai lembrar dos olhos dele até seu último dia. Conhecer tudo sobre a ásia, através do seu colega da cama ao lado naquele quarto com 18 pessoas no hostel, vai fazer você esquecer por hora do conforto da sua cama.

Passei meu último aniversário fora do país, viajando sozinha, longe de meus amigos e família e sem grandes comemorações. Nesse dia apenas fui a um barzinho com mais algumas pessoas que eu havia conhecido a pouco mais de uma hora na sala de estar do hostel. A noite foi tão divertida, as pessoas me trataram tão bem, que parecíamos amigos de uns 10 anos! Teve parabéns em português e espanhol, teve bolo e teve bebida local. Foi um dia feliz e inesquecível.

Viajar te traz sensações, sentimentos e um auto conhecimento que curso nenhum, bem material nenhum vai te trazer. Ninguém veio ao mundo apenas para acumular bens...
Viaje! Veja o mundo com seus próprios olhos, não pelo o que as revistas mostram! Permita-se!

Devaneios de uma quinta-feira a noite...