domingo, 30 de julho de 2017

Travessia a pé nos Lençóis Maranhenses

Imagine uma cena de filme, onde você é o protagonista e o cenário principal é um gigante deserto de areia com lagoas límpidas formadas pela água da chuva. Nesse deserto não há ninguém por perto, é tudo seu! Por mais que você ande, não encontra ninguém...apenas areia e água. E você não se cansa de olhar as dunas e lagoas que parecem que foram pintadas a mão. E quando o sol nasce e se põe, é um espetáculo indescritível.
Essa é a sensação de fazer a travessia nos lençóis maranhenses a pé! 
Meus queridos, essa travessia nos lençóis merece um post especial. Não só pela aventura e pelas belas paisagem, mas por algumas transformações na forma de ver as coisas da vida.



que é a travessia?

O parque nacional dos lençóis maranhenses já é um ponto turístico muito importante no Brasil, porém poucos sabem que pode-se fugir um pouco dos tradicionais passeios turísticos e explorar muito mais essa maravilha da natureza, da melhor forma...a pé! Eu fiquei sabendo que existia essa possibilidade através de um amigo mochileiro que havia feito a mesma travessia um ano antes.
Existe o percurso de 3 dias e o de 4 dias. Eu optei pelo de 3 dias e duas noites. O roteiro foi: Barreirinhas, Vassouras, Atins, Canto de Atins, Oásis Baixa Grande e Lagoa Bonita. O trekking de 4 dias passa também pela queimada dos Britos. 



Como chegar?

Você tem acesso aos Lençóis Maranhenses pela cidade de Barreirinhas ou por Santo Amaro. Como eu já estava em contato com a agência Costa Leste Aventura, optei por fazer iniciando por Barreirinhas. Aliás, indico muito a Costa Leste. Eu os procurei justamente por uma boa indicação que tive, e fica aqui meu agradecimento ao meu amigo Anderson, que me fez a indicação. E eu continuo recomendando o trabalho deles, preço justo e acessível, super atenciosos e profissionais.
A forma mais fácil de chegar a Barreirinhas é ir até São Luis, e de lá pegar uma van ou pode-se ir de ônibus. A diferença de preço é mínima, então eu recomendo ir de van, pois te buscam onde você estiver e te deixam na porta de sua hospedagem em Barreirinhas. Só o que você gastaria em translados até a rodoviária e até as hospedagens, provavelmente passaria do preço da van, somando o valor do ônibus.
Algumas vans saem do aeroporto. Então se você não se hospedar em São Luis, pode ir direto do aeroporto até Barreirinhas. Eu sinceramente achei São Luis uma cidade um tanto quanto perigosa. Se fosse fazer hoje, eu iria direto a Barreirinhas. Se você estiver muito cansado da viagem até São Luis, aí eu recomendo dormir em São Luis para descansar, pois serão mais 4 horas de viagem até Barreirinhas.

Enfim em Barreirinhas! A aventura vai começar!


Barreirinhas!
Cheguei em Barreirinhas por uma das vans que levam de São Luis até lá, e me hospedei no hostel Casa do Professor. O hostel é simples e organizado. O professor é super atencioso e prestativo. E o café da manhã, simplesmente maravilhoso! Preparado pelo próprio professor.


Eu e o Professor
Em seguida fui até a agência para me passarem as últimas orientações e depois junto com o guia Antônio, fui ao mercado comprar algumas frutas e bolachas para comer durante a travessia.


1º Dia de travessia - 8km

O primeiro dia iniciamos juntamente com um passeio tradicional, com mais visitantes. O barco segue pelo rio Preguiças e faz sua primeira parada em Vassouras. Lá tem um ponto de apoio (restaurante), e vários macaquinhos, que fazem a alegria dos turistas. Os bichinhos chegam a subir em você para pegar comida! Precisa-se um pouco de cuidado com seus pertences, pois eles também podem carregá-los.


Perdeu loira! Essa banana não te pertence mais!
Em seguida fizemos uma parada no farol do Mandacaru. Lá de cima, tem uma vista bem bacana e ao sair, antes de continuar o passeio, há uma barraquinha de caipirinhas com frutas locais, para você apreciar antes de ir adiante.



Paramos para almoçar na praia do Caburé. Lugar turístico, preço turístico! Achei as coisas absurdamente caras! Se quiser economizar, leve seu lanchinho. O bolso agradece.

Logo após o almoço é que iniciamos nossa caminhada. O sol estava muito forte, e às 16 horas paramos para aguardar o calor diminuir um pouco. Seguimos viagem, eu, o guia Antônio e Hernan, um argentino que estava em viagem já há algum tempo. Ao chegar nas primeiras lagoas, conhecidas como pequenos lençóis meu queixo já caiu! Era lindo demais! Segundo o guia, aquilo ali não era nada ainda...a grande beleza dos lençóis ainda estava por vir.


Pequenos lençóis
Tomamos banho nas lagoas e aguardamos o espetáculo do pôr do sol. Enquanto isso entre uma conversa e outra, nosso amigo argentino ganhou o apelido de mandarina...e assim foi até o final da nossa travessia, piada daqui, risadas ali e muitas histórias.
Enfim o pôr do sol..Pensa numa coisa linda!


Pôr do sol nos pequenos lençóis
Assim que o sol se foi, caminhamos até o redário do Seu Antônio, em Canto de Atins. O lugar é super simples. Você chega, escolhe a rede que vai dormir e eles te dão um lençol e uma toalha de banho. Como o redário é todo aberto, não há paredes, e você vai precisar sim do lençol, pois bate um ventinho fresco a noite.


Redário do Seu Antônio
Fui tomar um banho e havia dois pequenos lagartos e um sapo dentro do banheiro. A briga foi grande para expulsar aquela bicharada do banheiro e tomar um banho tranquila. Minha arma de guerra foi o esfregão do vaso sanitário! Preferi lutar bravamente do que começar a berrar como uma turista louca de cidade grande!
Lembrando que estávamos em um grande deserto, logo não há energia. Eles contam com um gerador que fica ligado até as 21hs no máximo. 
A janta foi maravilhosa. A comida de lá é espetacular. Dividimos entre nós o famoso camarão grelhado e um peixe grelhado. Comida excelente e preço justo!
Fomos dormir super cedo, pois no outro dia acordaríamos as 3 horas da manhã para seguir viagem. Achei que não conseguiria dormir em rede, mas o cansaço era tanto que apaguei logo que deitei.


2º dia - Canto do Atins e Baixa Grande - 23km

Nesse dia entendi tudo o que o guia queria me dizer quando dizia que o que eu tinha visto no dia anterior não era nada. Lençóis Maranhenses é um espetáculo de beleza! 
Iniciamos nossa jornada as 3:30, depois de tomar um café super simples (café e pão com margarina). Para quem tem alguma restrição alimentar, é melhor levar algumas coisas a mais para complementar seu café da manhã.
Caminhamos por muitos quilômetros a beira da praia. Sinceramente, essa parte hoje eu preferia fazer de quadriciclo. Claro que assistir o nascer do sol na beira da praia com o pé na água, não é nada mal, porém essa caminhada foi bastante cansativa. Meu tornozelo já estava do tamanho de um pão caseiro e começou a doer já nas primeiras horas. Foram 13 km de caminhada na praia.


Uma pequena queda dágua na praia

Finalmente chegamos nas dunas. E aí começou o espetáculo...uma lagoa mais linda que a outra! O argentino que estava com a gente parecia criança pequena de tão feliz! Piscava o olho e ele estava dentro da água, todo felizão! 
Cada lagoa tem sua particularidade...você encontra várias colorações, tamanhos, algumas secaram, algumas tem vegetação dentro e outras são extremamente límpidas. Algumas lagoas são antigas, algumas desaparecem e outras novas se formam com o passar dos anos, devido a força do vento, que vai desenhando esse cenário mágico. Toda a água que há nessas lagoas são água de chuva. Por isso a melhor época para se visitar os lençóis é depois da época de chuva onde as lagoas estarão cheias, de junho à outubro. Eu fui em junho e foi lindo demais.






Será que a água é limpa?
Já havíamos caminhado muito! Meu tornozelo doía muito e comecei a fazer bolhas no pé. Não tinha certeza se aguentaria o terceiro dia de caminhada...
Chegamos no redário da Dona Dete e do Seu Moacir por volta das 12:30hs. O resto do dia foi para descansar e se preparar para o terceiro e último dia.

A dona Dete e seu Moacir são muito atenciosos. Fui muito bem tratada...dona Dete demonstrou até certa preocupação com meu cansaço e com minhas bolhas, mas acreditou que eu aguentaria até o final.

O redário da dona Dete é um pouco diferente do redário do seu Antônio. As acomodações são fechadas.


Redário da dona Dete


Para conseguir chegar ao banheiro, tive que "pedir licença" para os animais que estavam fazendo guarda por ali. O banho estava bom, porém quando alguém no banheiro do lado ligava o chuveiro, acabava a água do meu chuveiro. Mas nada demais, consegui finalizar meu banho e descansar.


Banheiro vigiado!
À noite chegaram mais alguns moradores locais, e fiquei de papo um pouco com eles. Pude entender um pouco melhor sobre o cotidiano deles e como eles admiram aquele lugar. Levam uma vida muito simples, mas são pessoas muito felizes com isso...pessoas muito do bem! Vida tranquila, vivendo com o mínimo possível, sem energia e criando tudo que precisam para sua alimentação.
Era tanta paz naquele lugar, que ao pensar na minha vida corrida de cidade grande chegava a me causar certa perturbação.

Era 20:30 quando peguei minha rede e fui dormir admirando as estrelas e o lindo céu daquele desertão!


3º dia - Baixa grande e Lagoa Bonita - 19km

Acordei sentindo muitas dores...não sabia se conseguiria continuar, meu tornozelo estava me matando, e as bolhas do pé não ajudavam em nada! Já estava pensando em quanto sairia o resgate (sim, você pode desistir...eles te buscam de quadriciclo de onde estiver). O guia Antônio me incentivou a continuar e seguimos em frente. Percebi que ele também estava um pouco preocupado com minhas dores. Saímos as 4:30 da manhã.
Caminhei a passos de tartaruga. Era muita dor em uma única pessoa. Entenda uma coisa...por mais que você esteja acostumado a praticar exercícios físicos, caminhar na areia, subindo e descendo duna, atravessar lagoas, alternar entre areia fofa e areia batida, é MUITO cansativo. Minhas dores não estavam nas pernas, não sentia nenhuma dor muscular, mas minhas articulações, as bolhas e o tornozelo me matavam...a sola do pé parecia nem existir mais. A areia não é quente, mas de qualquer forma maltrata o pé. Cada passo era uma tortura.

O guia acredito que já nem ouvia mais minhas reclamações rsrsrs...eu estava mais chata que o burrinho do Shrek, perguntando se já estávamos chegando. Reclamando das dores infinitas e me perguntando porque eu tive a ideia dessa travessia. Ainda bem que ele foi muito paciente!

O dia começou a amanhecer e chegamos em um certo ponto que é impossível descrever a beleza do local. Juro que não senti mais qualquer dor quando vi aquilo. Foi uma injeção de ânimo para continuar até o final! Já estava decidida a continuar e assim foi. Tirei muitas fotos e fui até o final na garra.








Ao final do percurso, tem uma bandeira laranja indicando o fim. Foi uma mistura de sentimentos quando agarrei a bandeira...não acreditava que eu tinha conseguido! Mesmo demorando 2 horas a mais do que a média, eu consegui! Não acreditava nas paisagens maravilhosas que eu acabara de ver, mal acreditava na minha superação. Aí está a prova!


Fim!
Descansei um pouco no ponto de apoio, e ao final da tarde seguimos rumo a Barreirinhas, de jardineira. O motorista era meio doidinho, mas foi bem divertido.

Cheguei em Barreirinhas já era noite e eu não tinha hospedagem. Consegui um quarto na pousada da Deusa, bem perto do centrinho. Até cogitei voltar a casa do professor, mas já era tarde e só de pensar em caminhar mais um pouco, desisti da ideia! Tomei um banho e saí para comer algo. A noite à margem do Rio Preguiças é bem bacana..muitas mesinhas, barzinhos e música ao vivo. Meu cansaço era tanto que apenas comi algo, caminhei um pouco para sentir a noite da cidade e voltei para a pousada...e com a sensação de dever cumprido! E se valeu apena todo esse cansaço? Óbvio que sim! O lugar é coisa de cinema. Você não vai ver nada parecido na vida. É um passeio que recomendo aos aventureiros de plantão.


Dicas: eu não ficaria um dia em São Luis. Pegue uma van e vá direto a Barreirinhas. Se você chegar no aeroporto até umas 16 horas, ainda consegue uma van. Eles cobram em torno de 60 - 70 reais.
Não leve frutas que estragam rápido. No segundo dia as uvas e as ameixas que levei já estavam bem ruins.
Leve uma meia e use assim que sentir que seu pé está sendo maltratado. As meias ajudam a aliviar o cansaço nos pés. Você vai parecer um gringo usando meia na areia, mas é muito válido.
Procure uma boa agência e um bom guia. Para mim o trabalho do guia Antônio e da agência Costa Leste foi impecável. Foram simplesmente maravilhosos.
Não há como fazer por conta própria esse trekking. Precisa de um guia que conheça muito bem o lugar. Se perder naquela imensidão chega a ser perigoso.

que mais aprendi nessa travessia: respeite a natureza! Ela é responsável por coisas inimagináveis e paisagens magníficas. Preserve isso!
Tire o pé do acelerador. Nossa vida corrida e agitada nos consome demais. Conviver três dias com pessoas que moram nos lençóis, vivendo com tão pouco, tão simples, pessoas tão incríveis, foi uma experiência única! Nem sempre a sua forma de viver é a melhor forma de viver. Isso depende das prioridades de cada um.
Desligue-se do mundo sempre que puder. Três dias sem sinal de celular, sem redes sociais, sem qualquer notícia de nada, me fizeram muito bem.
Os 50km de caminhada no deserto me fizeram pensar em muitas coisas. Foi um exercício de auto conhecimento, de colocar a cabeça no lugar, traçar novos objetivos e entender a diferença entre o que realmente é importante e o que é supérfluo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Como começou minha paixão por viagens!


Seria trágico se não fosse cômico! Ou seria cômico se não fosse trágico?
Sabe aquelas histórias tristes com final feliz? Tipo novela? Aquela mocinha que sofre o filme inteiro e no final está feliz e saltitante com seu príncipe encantado que afaga sua linda barriga de grávida?
Pois é! Minha história foi mais ou menos isso, porém ao invés de casar com um príncipe encantado, casei com uma mochila e com o mundo.

A minha história era para ter o mesmo rumo da história dessa mocinha que encontrou seu príncipe encantado. Vamos nomear essa mocinha de Gertrudes, para facilitar o entendimento.
Tudo na minha vida andava dentro da normalidade (tirando o fato de eu quase ter morrido por conta de uma embolia pulmonar). Emprego, família, namorado, amigos e por aí vai. E as coisas iam tomando seu rumo. Assim como na vida de Gertrudes!

De repente, sem aviso, aconteceu algo que eu nunca imaginava que aconteceria comigo. Algo que mudou para sempre minha vida. Já tinha ouvido falar de muitas pessoas que passaram por isso, e cada uma se adaptou de uma forma. Enfim, quando eu menos esperava, esse fato apareceu, mais rápido que o Papaléguas correndo do Coiote! Pois é... tomei galho! Diversos, de vários tipos e tamanhos. Descobri que eu era corna, e MUITO corna! E minha história não teria o mesmo final que a história feliz da Gertrudes. Bom... tudo tem sua primeira vez, e quem aqui nunca tomou um galho hein!? Feliz é quem nunca levou um!

Aquilo doeu muito! Doeu mais que injeção de penicilina, mais que bater o dedinho do pé no canto da mesa. Minha única vontade era sumir disso tudo, dessa dor, sumir pelo mundo com uma mochila nas costas...Rá!!! Já matou a charada né? 
É, foi aí que descobri que o meu ex não era a paixão da minha vida... que o mundinho que ele me deu era pequeno demais para mim.

Comecei a materializar minha vontade de cair pelo mundo. Por hora, decidi começar pelos nossos queridos países vizinhos. A ideia inicial era viajar com mais dois amigos, mas devido a particularidades de cada um, eles desistiram. Mas a ideia não me saiu da cabeça e comecei a procurar companhia na internet para fazer meu primeiro mochilão. A essa altura do campeonato, eu já estava tão empolgada e envolvida com a ideia da viagem, que já não lembrava mais da existência daquele ser que me fez sofrer tanto, vulgo ex-namorado.

Encontrei 3 incríveis serumaninhos na internet para viajar comigo, os quais mantenho uma amizade até hoje! Nos conhecemos no aeroporto e seguimos viagem. Foi insanamente incrível!

Bom, o restante da história vocês já devem imaginar. Cai na estrada e viciei. O que inicialmente era uma fuga se transformou em uma grande paixão. Mas aprenda uma coisa: uma viagem não vai resolver seus problemas, você vai voltar de viagem e todos os problemas estarão aqui te esperando, com um grande cartaz de boas vindas e um balde de água gelada. Porém, você voltará com uma mente mais aberta, e será capaz de absorver tudo de uma forma diferente. Inclusive saberá como enfrentar todos esses problemas de uma forma mais leve e tranquila.

Bom... quanto aos meus galhos, enterrei-os e tratei de esquecê-los muito antes de embarcar. E quanto ao meu ex tenho apenas duas observações: primeiramente um muito obrigada! Aquele galho me deu uma vida nova, e com certeza evolui muito por conta disso. E a segunda observação é outro muito obrigada! Muito obrigada por me dar a oportunidade de me descobrir, de saber quem eu realmente sou. E como dizem, até um pé na bunda te empurra pra frente!

Mas Luisa, a Gertrudes foi feliz com seu príncipe encantado e seu lindo bebê...você não pensa em ter uma vida como a dela?
Fico feliz pela Gertrudes! Ela é muito merecedora da sua felicidade. E cada um acha a felicidade onde o destino reservou. Entendo que as pessoas podem ser mais felizes com outra pessoa ao seu lado, mas primeiro aprendi a me amar. E sim, espero um dia ainda encontrar um parceiro ou quem sabe ate mesmo o mochileiro das galáxias pelo caminho, para seguir pelo mundo ao meu lado e quem sabe tenhamos um mochileirinho a tira colo... quem sabe! E se eu não o encontrar, é porque eu tenho outro propósito nesse planeta.

Enquanto isso, a vida segue com muita coisa boa para fazer.
E repito...uma viagem não vai resolver seus problemas, mas certamente vai te ajudar a encontrar outras saídas!

Viaje! Permita-se!



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pucón - a pequena e encantadora cidade ao redor do vulcão Villarrica




Minha passagem por Pucón foi cheia de emoções...primeiro por ir a uma cidade tão meiga, cheia de charme, dessas que faz o coraçãozinho amolecer mais que paixão de adolescência. Segundo por ser meu porto seguro após um terremoto no Chile. Terremoto? De novo? Pára tudo! Miga sua louca, explica esse história! 
Vou explicar...pelo segundo ano consecutivo, fugi de um terremoto durante uma viagem. No ano anterior, peguei um terremoto no Peru, voltando de Machupicchu, e nessa viagem fugi de um terremoto no Chile! Mas peguei um vulcão em atividade.

Coitado do meu anjo da guarda...sempre passando perrengue! Logo ele se revolta e pede férias!

O meu sumiço e da Liz na nossa chegada em Pucón gerou alvoroço aqui no Brasil. O fato é que um dia antes estávamos em Valparaíso, cidade que foi atingida por um terremoto de 8,4 graus logo que saímos de láDevido as horas de translado de Valparaíso até Pucón, e o tempo dos passeios na cidade, ficamos por várias horas "sumidas" do mundo virtual e de qualquer tipo de comunicação. Estava eu e a Liz em um restaurante, ela tomando seu drink e eu uma cerveja local, até que vimos na televisão a notícia do terremoto em Valparaíso...a cidade ficou destruída, foi triste. Mas nós já estávamos bem longe de lá.
Logo imaginamos que o povo aqui do Brasil estaria preocupado. De fato, conectamos no wi-fi do hostel e o celular travou de tanta mensagem e ligação. O pessoal aqui surtando de preocupação e nós duas super alegres e saltitantes passeando e bebendo!

Bem belas e saltitantes sem saber do terremoto
Chegamos em Pucón com muito frio, -3 graus! Sem contar aquele vento que levava a temperatura mais abaixo ainda. Nos hospedamos no Pucón Hostel. Super recomendo. Você vai pagar um pouco a mais do que os outros, mas nada que uma boa negociação não resolva! O hostel é muito bom. Lá quem nos atendeu foi o Marcelo...um cara gente boa, que falava pelos cotovelos e usava umas roupas bizarras. Dessas figuras que você acha que saiu de uma história em quadrinhos. Nos ajudou bastante, deu várias dicas, mas a gente tinha que fugir dele porque quando começava a falar não parava mais!


Nosso objetivo em Pucón era escalar o vulcão Villarrica. Mas o queridão estava em atividade, logo não foi possível fazer o passeio. Olhar para o vulcão a noite era lindo...dava para ver a parte de cima dele avermelhada. Coisa de filme!
Trocamos a escalada por uma tarde de esqui na base do vulcão...foi lindo, cada tombo histórico, cada situação bizarra, mas ao menos garantiu boas risadas. Esqui é mais um dos esportes que entrou na lista das atividades que eu sou muito ruim mesmo! 
Além do esqui, fizemos um passeio por algumas quedas d'agua e águas termais lá na cidade.


Águas termais

Se tem algo que eu detesto, são esses passeios comprados por empresas locais, o qual você passa por uns 10 hotéis para buscar todo mundo, tem um tempo muito limitado para ficar nos locais e geralmente tem um guia com piadas sem graça tentando agradar. Sempre fujo disso e tento fazer por conta própria, porém dependendo do lugar não tem como. Esse passeio nas águas termais foi um desses casos, o qual precisei comprar em uma dessas agências. O guia de fato era muito chato, mas o passeio até que valeu muito a pena.
Nesse dia compramos um tour por algumas quedas d'agua e águas termais. Considerando que eu moro em Santa Catarina, e temos várias belezas naturais aqui, as quedas d'água não me surpreenderam. Mas a parte das águas termais valeu muito! O lugar é lindíssimo, tem uma boa estrutura e você sai daquela água se sentindo outra pessoa. E a água é incrivelmente quente! Uma delícia! 



Eu e a Liz ficamos um tempão dentro da piscina das águas termais. Depois colocamos toda a roupa, porque estava muito frio fora da água e ficamos passeando pelo local, onde tem uma vista belíssima...e um balanço...você se sente na quinta série de novo...




Esqui no vulcão Villarrica

Já que não foi possível escalar o vulcão, optamos por esquiar...ou melhor, tentar esquiar! Depois desse dia descobri que sou incrivelmente ruim para isso. Mas valeu a brincadeira, meu mal jeito para esquiar rendeu boas risadas para quem assistia. Encontramos uma turma de cinco brasileiros e um alemão, e partimos para o esqui. Não vou mais entrar em detalhes, vejam por si mesmos...assistam o vídeo abaixo e entendam o real significado de vergonheira master e da expressão "Foi assim que Napoleão perdeu a guerra".


video


Na volta do passeio paramos em um barzinho e tomamos um chopp com o pessoal da trip. Para mim, essa é uma das melhores partes de um mochilão...as pessoas, as culturas que conhece.
Depois disso fomos em busca de passagem para San Martin de Los Andes (mais uma cidade super meiga da Patagônia). De San Martín partimos à Bariloche.

Compramos as passagens pela Iggilaima.


 
Pucón ganhou um espaço especial no coraçãozinho da loira aqui. O lugar é uma delícia, lindo demais. O vulcão Villarica cerca a cidade, de qualquer ponto você vê ele bem lindão, coberto de neve. Pucón é uma cidade pequena, pode-se fazer tudo a pé. Para quem procura agito, esquece. A noite de Pucón é bem pacata, no máximo você consegue alguns barzinhos.
Vulcão Villarica ao fundo



Vulcão lindão!



Gastos em Pucón:
O Chile não é um dos países mais baratos da América do Sul. Mas vale cada centavinho gasto, vai por mim! Segue abaixo principais gastos (viagem feita em 2015):
Pucón Hostel: 10000 pesos (pechinchando muito!). Vi gente se hospedando em hostel que custava 7000 pesos, porém não eram muito bons.
Passeio nas águas termais: 18000 pesos
Esqui no vulcão Villarica: 18000 pesos
Alimentação: isso varia do seu gosto e exigência. Eu gastei desde 4500 pesos até 18000 pesos.

Minhas observações sobre o Pucón Hostel:
Você encontra mais baratos, porém pechinchando conseguimos baixar o preço. Super recomendo esse hostel, é bem localizado, limpinho e super confortável. Fica em frente a rodoviária e praticamente na esquina da rua principal de Pucón.



quinta-feira, 30 de março de 2017

Algumas coisas que nunca vão te falar sobre viagens de mochilão



Você sabe quanto custa ver a super lua ao anoitecer no deserto do Atacama? Consegue estimar preço para ver um céu com tantas estrelas e tão próximo a ponto de achar que pode tocá-las com seus próprios dedos? Ou ainda, sabe quanto custa brincar com llamas pelas ruelas de Machupicchu enquanto elas tentam roubar sua bolacha waffer?

Talvez te custe aquela bota de couro que você tanto tá querendo, ou aquela noitada regada a bebida e ostentação...ou ainda aquele carro com cheirinho de novo, aquele mármore lindo na sua pia do banheiro, ou aquele perfume importado que todos a sua volta elogiam.

Talvez você esteja disposto a largar tudo isso para colocar o pé no mundo. Ou talvez você corte apenas alguns gastos supérfluos em troca de uma viagem uma vez ao ano para algum canto que goste. Esse canto pode ser aqui do lado ou do outro lado do mundo. Ou ainda prefira nunca viajar e ter um carro zero super confortável...afinal, o dinheiro é seu e você usa ele da forma que mais te faz feliz.

O que acontece é que a maioria das pessoas que não tem o costume de viajar, se questiona muitas vezes: porque eles gastam tanto com viagem? Isso é dinheiro jogado fora!

Bom...primeiramente, você não precisa ser rico para viajar...se você estiver disposto, pode ficar em hospedagens baratas (hostel, albergue, couchsurfing), comer comidas baratas, ou ainda cozinhar sua própria comida. Não, isso não é um sacrifício e muito menos sofrimento...andar de transporte urbano nas cidades aí afora também não vai te cair um braço!

Mochilão é muito mais que um hobby, muito mais que uma viagem de “modinha”....é um estilo de vida, um estado de espírito, uma conexão fantástica com a natureza e o mundo.

Certamente algumas vezes você terá fome, ou vontade de comer aquela comida maravilhosa do melhor restaurante da cidade...e vá terminar o dia com um prato de miojo. Talvez seus pés reclamem de cansaço, e algumas bolhas te acompanhem pela viagem. Talvez você se meta em furadas, e talvez você não imaginava que aquele hostel era tão ruim a ponto de preferir ficar na rua. Talvez o peso da mochila canse suas costas. Mas seu coração, seus olhos e sua mente nunca se cansarão. 

Nada no mundo vai pagar a emoção que senti sendo pega de surpresa pela super lua ao anoitecer no deserto do Atacama. Nada paga o preço de ver as estrelas do céu do Salar de Uyuni de madrugada, tão próximas aos meus olhos, e sem dúvida o céu mais estrelado que já vi na vida! Foi lindo, mesmo suportando 18 graus negativos no meio do deserto. Ver a borda de um vulcão em erupção à noite, toda vermelha, em uma cidade tomada pelo gelo paga todos os pratos de miojo que já precisei comer. As várias cores do mar do caribe...ahh o mar do caribe...minhas costas até esquecem o peso da mochila. Aquela pessoa que mora do outro lado do mundo, e virou seu melhor amigo ao dividirem uma mesa de hostel para jantar, essa você nunca vai esquecer. Aquele nativo que te ajudou enquanto você estava perdido pelas ruas de uma cidade qualquer e ainda te deu muitas dicas do local, você vai lembrar dos olhos dele até seu último dia. Conhecer tudo sobre a ásia, através do seu colega da cama ao lado naquele quarto com 18 pessoas no hostel, vai fazer você esquecer por hora do conforto da sua cama.

Passei meu último aniversário fora do país, viajando sozinha, longe de meus amigos e família e sem grandes comemorações. Nesse dia apenas fui a um barzinho com mais algumas pessoas que eu havia conhecido a pouco mais de uma hora na sala de estar do hostel. A noite foi tão divertida, as pessoas me trataram tão bem, que parecíamos amigos de uns 10 anos! Teve parabéns em português e espanhol, teve bolo e teve bebida local. Foi um dia feliz e inesquecível.

Viajar te traz sensações, sentimentos e um auto conhecimento que curso nenhum, bem material nenhum vai te trazer. Ninguém veio ao mundo apenas para acumular bens...
Viaje! Veja o mundo com seus próprios olhos, não pelo o que as revistas mostram! Permita-se!

Devaneios de uma quinta-feira a noite...