segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sucre - a cidade branca e os primeiros sintomas da altitude!


Nesse dia tínhamos um vôo logo pela manhã para Sucre. Então tomamos um banho, café e já tratamos de tomar o Diamox, remédio que ajuda contra o mau da altitude (mau chamado também de soroche). Para quem não sabe, a altitude maltrata um bocado quem não está acostumado...eu por exemplo, moro em Joinville, uma cidade que está no nível do mar, então as chances de ter problemas com a altitude são muitas. Os sintomas vão desde uma simples dor de cabeça, até enxaqueca, febre, vômitos e extremo cansaço.

O café da manhã do Jodanga é simples, mas muito gostoso, vale a pena. Neste hostel tem também piscina, e considerando que pegamos 33 graus lá, faltou um biquíni para dar um mergulho naquela piscina azulzinha! Enfim...pegamos a mochila e partimos...ao chegar na porta do taxi, novamente veio a vontade de fazer xixi...eu e Érica corremos ao banheiro. Que saco hein! Nos ligamos então que a mijadeira era um dos efeitos colaterais do Diamox, que é diurético. Elaiaaaa, traz a fralda que tá foda!!!

Tchau tchau Jodanga!

Chegando no aeroporto, estávamos os quatro anões (Eu, Liz, Alan e Érica), Eugenia, Rose e Fernando esperando nosso vôo. Eis que surgem diversas tartarugas ninjas do boeiro hahaha....uma porrada de brasileiros que estavam em outro hostel. Passamos boa parte do mochilão com essa turma! Henrique, Bernardo, Renan, Thiago, Nat, Léa, Marcela e outros que não me recordo...

Aeroporto de Santa Cruz de la Sierra

Partiu Sucre!

Chegamos em Sucre, a cidade branca...e que cidadezinha linda, toda branca e muito charmosinha. Sucre é toda pintada de branco porque acredita-se que com isso espantariam os maus espíritos. Se é verdade não sei, mas a cidade dá uma paz!!!
Pena que a nossa ansiedade para conhecer o Salar de Uyuni era tanta que nos fez ficar apenas um dia em Sucre. Achamos o hostel San Francisco e ficamos por lá mesmo (60 bolivianos). Aí começamos a sentir a altitude (de 500 metros fomos a quase 3000m). Subir as escadas daquele hostel com a mochila nas costas foi uma das coisas mais difíceis e cansativas do dia...caramba, no terceiro degrau meu coração estava pulando pela boca! E nosso quarto ficava no terceiro andar! Jesus me salva dessa altitude!!!


Hostel San Francisco
Depois de muitas fotos, e o estômago colado nas costas de tanta fome, fomos a procura de algo para comer. E no meio do caminho, adivinha??? Tartarugas ninjas! Sim, brazucas de peeeeeeenca em frente a catedral de Sucre, e é claro que eu não deixaria de reconhecer aquela voz com sotaque de gaúcho da Eugênia. Lá estava Eugênia e a turma toda que conhecemos no aeroporto de Santa Cruz. Sucre estava dominada por brasileiros hahaha!

Proliferação de Brazucas! Conhecidos também por tartarugas ninjas, pois aparecem do nada, devem sair do boeiro, só pode!

Acabamos nos dispersando deles pois a fome era demais e estava difícil de conciliarem as ideias lá. Paramos na pizzaria Napolitana...e que pizza boa, caramba! Ou a fome era demais, ou realmente a pizza era maravilhosa! Essa pizzaria fica em frente a Plaza 25 de Mayo, super fácil de achar. Obviamente resolvemos provar mais algumas cervejas, Alan sempre meu parceirão das cervas. Liz também! Só a Érica era a sensata da trip haha. Desta vez provamos a Sureña e Huari. Pedimos uma coca-cola também e tudo estava incrivelmente gaseificado. Sério, cara, era muito gás! Até a cerveja parecia ter tanto gás quanto a coca-cola. Então lembrei que havia lido na internet sobre isso...mais um dos efeitos da altitude ou do remédio, não sei ao certo, mas tudo fica extremamente gaseificado.  

Sureña, Paceña e Huari (e a Liz ao fundo)

Um sorvetinho para fechar o dia e fomos passear mais um pouco pela cidade.

Sucre é uma cidade extremamente agradável! Limpa, bonita, organizada, e a temperatura estava super agradável, dá vontade de ficar o dia inteiro passeando por lá, se não fosse a altitude...ahh a altitude tava fod... pra k7. Tiramos fotos e mais fotos pela cidade! A catedral de Sucre, como várias que vi pela viagem, é magnífica, com aquelas portas gigantes, maravilhosas!









Bom, precisávamos comprar as passagens para Uyuni...a essa altura do campeonato já estávamos pechinchando tudo, até taxi! Um dos taxistas estava pedindo 16 bolivianos (isso é um pouco mais de 5 reais) e achamos caro (sim, estávamos extremamente mão de vaca hahaha). Considerando o preço não dava para reclamar do carro, que era tão velho que o banco de trás estava solto.

Curiosidade sobre os carros na Bolívia: reparamos que algo não estava certo no painel dos carros (e eu não tinha bebido, o painel estava invertido mesmo). Eles compram os carros baratos da China e o modificam, colocando a direção do lado esquerdo e o painel fica do lado direito. É muito comum você ver os carros assim lá...hilário!!! Olha isso hahaha

Direção de um lado, painel de outro!

Chegamos na rodoviária e fomos a caça de passagens para Uyuni. O negócio lá é tenso! Aquele monte de chola boliviana gritando o tempo todo com a voz anasalada Uyuni, Uyuni, Uyuniiiiiiiiiiiiiiii hahaha cara que coisa chata kkkkkk (foi chato, mas imitamos elas o tempo todo durante o mochilão kkkkkkkk). Era muita gente berrando nos nossos ouvidos. Ta aí abaixo uma chola boliviana, para quem não conhece!

Chola Boliviana!

Como todo meio de transporte na Bolívia, os ônibus eram bem meia boca...seriam 9 horas de viagem em um ônibus sem banheiro (sinceramente não sei o que é pior, ficar sem banheiro ou usar aqueles banheiros imundos). Ah, e lembra do Diamóx, remédio para a altitude que é diurético? Pois é! Nove horas de viagem em um ônibus sem banheiro + remédio diurético, combinação nada perfeita. Então não tomamos o remédio nesse dia. Vamos vencer a altitude na raça! Força na peruca! Compramos as passagens por 60 bolivianos (equivalente a 20 reais). Como tudo na Bolívia, super barato!

Na volta para o hostel, pegamos outro taxi, com um senhorzinho nervoso! Ele buzinava até para as moscas na rua! Óbvio que quase passávamos mau de tanto rir a cada buzinada dele, caramba que povo estressado esses bolivianos hahaha. Tirando o fato do carro estar caindo aos pedaços (inclusive retrovisor era artigo de luxo), de ele quase bater em um motociclista, e buzinar até para o vento chegamos vivos! E nos rendeu muitas risadas! Uhuuuullll

Nossa ideia era voltar ao Hostel, descansar um pouco, comprar coisas para o café da manhã em um mercado e depois jantar. 

Nos recuperando da altitude

Saímos eu, Liz e Érica para comprar algumas besteiras na rua e o Alan ficou no hostel. Na volta tomamos um banho para irmos ao mercado e depois jantar. Vou te contar que esse banho foi tenso! Além de frio (mas a temperatura não estava tão baixa, então foi susse), passava corrente elétrica na água. A loira aqui começou a ficar surtada pois meu corpo amorteceu, já tava achando que ia me dar um treco (nem me liguei que era por causa da eletricidade do chuveiro). Depois o Alan foi tomar banho e também ficou amortecido..tenso! Enfim, fomos descansar um pouco...adivinha o que aconteceu? Nada de mercado, nada de janta, capotamos, apagamos, literalmente, e acordamos somente no outro dia, às 5 da manhã para pegar o ônibus a Uyuni, Uyuni, Uyuniiiiiiiiiiiiiiii kkkkkkkk!

A porta do nosso quarto estava aberta. Fiquei bem desconfiada, olhei nossas mochilas e estava tudo lá. Bom, deve ter sido alienígenas que foram nos visitar (conforme a teoria do Alan hahaha). Ficamos encucados com aquela dúvida, afinal, quem abriu a porta???

Partimos para a rodoviária (mesmo sem janta, sem café da manhã, estômago colado nas costas). As meninas não estavam bem, a Liz havia vomitado a noite toda e a Érica teve um pouco de febre. Coisas da altitude...
Chegamos na rodoviária e lá estavam as Cholas berrando Uyuni, Uyuni, Uyuniiiiiiiiiiiiiiii kkkk (eu me racho de rir só de lembrar!). Precisei ir ao banheiro, mas ao chegar lá, a vontade passou...tava feia a coisa aff. As meninas foram guerreiras. A Liz além de encarar o banheiro voltou com um pacote de folha de coca (ninja!). Foram nossas primeiras de muitas folhas de coca! Momento mágico aeeee. Estou sendo irônica, ok, folha de coca não faz nem cócegas, mas ajuda com a combater os efeitos da altitude. Pode mascar o quanto quiser, não vai ficar louco!
 Uyuni, Uyuni, Uyuniiiiiiiiiiiiiiii

Próxima parada: cidade de Uyuni e o magnífico Salar de Uyuni! Aguardem!

Gastos e indicação de hostel:
Hostel: San Francisco. 60 bolivianos (20 pila). Hostel simples, mas muito bom, limpo, confortável, barato, bonitinho e com quartos para duas pessoas com banheiro privativo. Contras: não pega wi-fi nos quartos, não tem café da manhã e o chuveiro não esquenta muito. Segue foto do quarto:




Despesas:
Taxis (4 corridas)
R$ 15,00
Obs: valor do taxi já rateado entre os 4 mochileiros
Alimentação
R$ 21,50
Hostel
R$ 20,00
Passagem de Sucre para Uyuni
R$ 20,00
Vinho
R$ 6,00
TOTAL
R$ 82,50


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Chegou a hora de arrumar a mochila! E agora? O que levar e o que NÃO levar!



Então chega o grande dia! O dia de colocar a mochila nas costas e partir pelo mundo a fora. Aí você olha sua linda mochila (OMMGG!!!) que será sua casa durante todo o tempo que estiver fora e começa a pensar em tudo de bom que vai levar.
Aí você vê que não cabe tudo na mochila...e começa a tirar coisa, mexe aqui, mexe ali, senta em cima da mochila para conseguir fechar ela e coloca nas costas. Tchanamm!!! Aí você não aguenta aquele peso todo nas costas. Rá!!! Pegadinha do malandro!

Os problemas começam e você tem vontade de arrancar todos os seus fios de cabelo, porque não sabe o que levar hahaha (se todo problema na vida fosse esse, seria mamão com açúcar).

Vamos arrumar essa bagunça toda então! 

Lei nº 1: Praticando o desapego

Primeiro de tudo...a sua mochila linda maravilhosa, que você pagou o olho da cara, e que tem o maior cuidado do mundo, vai virar um LIXO! Então desapega!!! Elas foram feitas para isso! Quando voltar de viagem, você dá jeito nela, lava, costura, faz o que quiser, mas durante a viagem desapega se não quiser surtar. Cheguei a ver minha mochila jogada no meio da rua em pleno Atacama, toda suja. Óbvio que me deu cinco tipos diferentes de ruim em ver o motorista do ônibus destratando minha amada mochila daquela forma, mas enfim, ela sobreviveu!

Lei nº 2: Elevando a auto estima

Para as mulheres: você é a mais gata, a top das top e não precisa de maquiagem nem salto alto!

Esqueça o salto alto. Vai ser só mais uma tranqueira na mochila. Você NÃO vai precisar usar salto, garanto. E dependendo o lugar onde estiver, mesmo de chinelo, suja, cabelo todo emaranhado, vai ser a mais linda do pedaço! E outra...o cansaço é tanto, que você vai repugnar a ideia de usar sapato de salto. Mochileiro pode usar a roupa mais tosca que for, ninguém vai dar bola, você é mochileira e ponto! Então se joga nega! Vá para a balada de chinelo ou tênis e vai ser a top das top!

Maquiagens...outro ponto importante...desapega da vaidade (não precisa virar a noiva do Chuck também né, mas vaidade em excesso não rola). Como eu sou mega vaidosa, foi bem difícil seguir esse conselho. Levei algumas maquiagens bem básicas e que não ocupavam espaço. Resumi em: um pó, um lápis, um rímel e um batom, simples assim. Quando queria me arrumar um pouquinho mais, dava uma caprichada no lápis, usava ele mesmo para delinear e esfumaçar e pronto! Chique no último! Nada de sombra, blush, curvador de cílios, pincéis, nada disso. E por favor ESQUEÇA aquela paleta linda de sombras ultra mega power que você tem. Sim, você fica linda maquiada, mas um bom lápis já resolve o problema.

Lei nº 3: Querer não é poder!

Você pode até querer levar tudo o que gosta, mas não poderá...Rá!!! Mais uma pegadinha do malandro!
Então, esqueça tudo que é supérfluo. Sabe quando você separa algo e pensa “vai que eu preciso disso, vai que acontece aquilo” Você não vai precisar e nada de extraordinário vai acontecer. Pense que você vai carregar a mochila nas costas a viagem toda e se levar tudo o que acha que pode precisar, no meio da viagem suas costas estarão acabadas e você vai chegar a cogitar a ideia de fazer um brechó para se livrar de peso hahaha (cheguei a pensar em me livrar dos meus casacos nos dias quentes).

Pronto, agora você é uma pessoa mais leve e livre de apego, aeeeee! Agora vamos ao que é necessário levar.

Já imagino que a essa altura do campeonato você já tem toda documentação pronta. Se não tiver, se mata cara! Duas tartarugas competindo corrida são mais rápidas que você!

No meu caso, como fui somente na América do Sul, era necessário somente o cartão da Anvisa com a comprovação da vacina contra febre amarela, passaporte (se não tiver, a identidade com menos de 10 anos basta), e cópia autenticada dos meus documentos (em caso de ser roubado, fica mais fácil para tomar as providências).

REMÉDIOS

Levar uma caixinha de primeiros socorros é imprescindível! Imagine você com uma alergia, dor de cabeça, estômago, garganta inflamada ou qualquer uma dessas bicheiras que costumam dar em qualquer ser humano normal. Aí você (no meio do deserto) pensa, ahhh vou ali na farmácia comprar um remedinho e já volto. Tipo, a farmácia mais próxima fica a muitos quilômetros de distância. Vai morrer caminhando e não vai encontrar uma farmácia!

Então aí vai dica de como montar um kit básico (isso sem contar se você tiver alguma doença que precise remédio):

Própolis
Chá vick vaporup
Band aid
Remédio para dor de cabeça
Remédio contra altitude (Diamox)
Antigripal
Relaxante muscular
Remédio pra dor de barriga (imosec)
Remédio para dor de garganta (diclofenaco potássico e pastilhas)
Dramim (aos montes!)
Anti alérgico
Sal de frutas
Bepantol
Colírio
Anti inflamatório
Engov – muitos! 

Eu não usei quase nada, porque graças ao meu corpo fechado (sqn), não fiquei doente. Apenas os engov, ah esses acabaram rápido, não sei porque rsrs.

ROUPAS

Viajando uma semana, ou um mês, você vai precisar da mesma quantidade de roupas. Calcule o que você precisaria de roupa para uma semana. Na maioria dos hostels há como lavar roupas.
Segue abaixo as roupas que levei, e as minhas considerações com o que poderia ter levado a mais e a menos.
Apenas lembrando que isso está baseado na viagem que fiz...O roteiro está nesse link http://muitorisopoucosiso.blogspot.com.br/2014/10/mochilao-2014-bolivia-chile-e-peru.html. Então se você fizer um mochilão pelo nordeste brasileiro por exemplo, o tipo e quantidade de roupas muda completamente!

01 Bota treking
01 Havaiana
01 Luva
01 Toca
01 Cachecol
01 Calça jeans
01 Legging (poderia ter levado mais uma)
01 Calça mochileiro (para mim foi desnecessária, usei duas vezes somente. Poderia ter levado uma legging a mais)
01 Calça de fleece
01 Calça segunda pele
01 Bermuda
05 Meias (3 térmicas e 2 normais, porém senti falta de mais umas 2 meias normais)
07 Calcinhas
01 Soutien
01 Top
01 Óculos de sol
01 Mochila de ataque
01 regata (poderia ter levado mais uma pelo menos, não esperava tantos dias de calor)
02 Camiseta sem manga (comprei mais umas 5 pelo caminho, de lembrança das cidades)
02 Blusas com manga de malhinha
02 Blusas de frio (fleece – somente uma já bastava)
02 Blusas segunda pele
01 Jaqueta corta-vento
01 Jaqueta mega grossa para frio
01 Doleira
01 Boné
01 Bandeira do Brasil

Dica: roupas de frio podem fazer espaço dentro da mochila. Tem umas sacolas a vácuo para vender, mas como eu já tava dura de grana, fiz no modo Luisa tabajara. Coloquei dentro de sacolas de mercado, sentei em cima até sair todo o ar e fechei. Pronto! Embalagem a vácuo by Luisa! Top!!!

KIT ELETRÔNICO

Maquina digital
Carregador
Cabo para maquina digital
Lanterninha
Despertador (ou usa o do celular mesmo)
Calculadora
Pen drive
Cadeados (pelo menos 3)
Canivete suíço

KIT HIGIENE

Escova de dente
Creme dental
Perfume
Shampoo
Creme para pentear
Creme para pele seca
Desodorante
Protetor solar
Protetor labial
Repelente
Sabonete
Pente
Lenço umedecido (muitos, muitos mesmo)
Toca de banho
Espelho de pendurar

Sobre o espelho, eu sempre reclamo de poucos espelhos nos hostels. Então o modo Luisa tabajara entrou em ação de novo. Levei um espelhinho desses pequenos que você compra em mercado, fiz dois ganchinhos de aço e pronto. Chegava nos lugares e pendurava na janela, na porta em qualquer lugar. Devia patentear essa ideia. Espelho de mochileiro by Luisa!

DICA 1: cremes, shampoo, condicionador, coloque tudo em frascos pequenos. Não queira levar esses frascos enormes de shampoo. Se faltar, você compra durante a viagem. Comprei perfume roll-on na Boticário. É pequeno e super prático.

DICA 2: linha Natura Sou...não to querendo fazer propaganda, mas a Natura tem uma linha de cremes, shampoo e condicionador com embalagem "mole". Super prática e otimiza espaço. Ficadica!

OUTROS

Passaporte
Carteirinha de vacinação internacional
Mapas
Roteiro
Diário de viagem
O Guia criativo para o viajante independente da América do Sul - foto abaixo (muito útil!)

Diário de viagem

O guia criativo para o viajante independente da América do Sul

Ao arrumar a mochila, deixe mais atrás sempre as coisas que você não vai precisar tão cedo. Pensamento básico, deixe as coisas que mais irá usar mais a mão.
A minha mochila é grande (78 litros). Então a minha meta era ir com ela até no máximo a metade cheia. E consegui! Obviamente ela voltou socada, devido as roupas a mais e algumas lembrancinhas que comprei pelo caminho.

Outra coisa muito importante. Aprenda a regular a sua mochila. Aperte bem a barrigueira, ajuste a altura das alças e deixe ela bem encostada nas costas. A parte de baixo da mochila deve ficar um pouco acima do bumbum. Dessa forma, o peso fica distribuído pelo seu corpo, e você não sente tanto.

Acho que é isso! Bora mochilar! Uhuuullll



domingo, 19 de outubro de 2014

Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - o início do mochilão


Nossa viagem já começou da forma mais cansativa possível...com atrasos e a noite dentro de ônibus! A minha amiga Natty levou eu e a Liz até a rodoviária aqui de Joinville, passava um pouco da meia noite. Como eu sabia que iríamos pegar muito frio, já fui com metade de todas minhas roupas hahaha...coloquei blusa térmica, segunda pele, fleece e o casaco mais quente que eu tinha. Parecia um esquimó (em plenos 20 graus de Joinville)! 



Olha nossas caras de acabadas antes mesmo de começar o mochilão...
E para começar muito bem, o nosso ônibus atrasou...a partida estava marcada para uma hora e saímos depois das duas horas.  Eu e Liz estávamos mega cansadas, logo, dormimos todo o trajeto Joinville – Curitiba. Chegamos cedo para o nosso voo, que saía 7 horas da manhã. Como é comum ocorrerem acidentes na estrada até Curitiba, foi melhor esperar no aeroporto do que correr o risco de perder o voo para o tão esperado mochilão.
Lá se foi mais uma sonequinha no aeroporto...Pegamos o vôo até Guarulhos, e na fila da imigração (que era enorme, por sinal) reconhecemos a Erica, uma de nossas colegas de trip..e sim, ela realmente era baixinha, como sempre comentava nas nossas conversas de What’sApp. E nada do Alan aparecer. Alan é o outro integrante da trip, o qual eu tinha muita pena, considerando que ele teria que aturar três mulheres durante praticamente um mês inteiro! Hahaha guerreiro!!! Se não aguenta, pede pra sair!!! E sim, ele nos aguentou até o último minuto.

Todos dentro do vôo, acomodados e enfim chega o Alan...exatamente do jeito que eu imagina, porém bem mais baixo. Brincamos dizendo que era o mochilão dos quatro anões hahaha, pois ninguém ali passava de 1,70!
Lá se foram os quatro anões para Santa Cruz...Chegando próximo a aterrissagem, o piloto informa: tempo bom em Santa Cruz, 30 graus...Oi? Como assim 30 graus??? E as minhas blusas térmicas, fleece, segunda pele, meias térmicas...o que faço com essa roupa toda, vendo? Elaiaaaa bora fazer um brechó!

Desembarcamos, e eu estava quase derretendo dentro daquela roupa de esquimó que vesti antes de sair de Joinville. Santa Cruz venta muito...imaginem minha situação com aquela roupa de esquimó, toda descabelada...eu parecia um urso polar, um leão, sei lá, qualquer coisa, menos eu!
Trocamos um pouco de dinheiro ali mesmo no aeroporto, depois de fazer todos aqueles tramites chatos de imigração, alfandega e tals. Trocamos o dólar por 6,80 bolivianos. Ou seja, estávamos ricos! Era muita grana, e lá é tudo extremamente barato! Uhuuuulllll se fui pobre não me lembro! Mal sabia eu o que vinha pela frente...
O câmbio a 6,80 não era muito bom, considerando que em La Paz achamos até por 6,94.
Batemos uma foto clássica em frente à saída do aeroporto e seja bem vindo mochilão!!! Estávamos mais felizes que criança com brinquedo novo! Uoollllllll




Fomos direto ao hostel Jodanga e conseguimos hospedagem lá. Tratei de tirar aquela fantasia de esquimó e colocar um chinelo, shorts e blusinha solta. Ahhhhh que alívio!

Hostel Jodanga

Fui para o quarto e lá estava um argentino que tentou puxar papo comigo e com a Liz sem sucesso rsrs... acabei passando vergonha, pois eu disse que a luz não funcionava (e realmente não funcionava, juro!!!), até que ele chamou o pessoal da recepção para arrumar, e quando chegaram lá com escada, lâmpada e todos os apetrechos, adivinha? A luz acendeu hahaha....ele me olhou de cara feia, mas azar, eu só queria saber do meu mochilão :)
Heinz Doofenshmirtz (nosso querido mascote narigudo) já estava na mesa conosco, todos prontos para conhecer a cerveja mais popular da Bolivia, a Paceña. É uma cerveja leve, boazinha, comum...nada demais. Eu, cervejeira como sempre, provei essa e logo tratei de pegar outra, agora veio a Saya, essa, com o gosto mais acentuado e mais encorpada.



Heinz Doofenshmirtz caindo de cabeça na Paceña!


Eu e o Alan iniciando a saga de experimentar todas as cervejas diferentes da região...começando com a Paceña

Heinz e a Saya

Na sequencia, veio falar com a gente o Fernando, um menino que estava sozinho por lá, brasileiro também. Pelo visto iria nos acompanhar até o Atacama. De repente eis que surge uma figura engraçada e divertidíssima me chamando pelo nome...eu pensei, bah... que zoeira é essa? Não posso nem vir para a Bolívia que encontro conhecidos? Juro que não aprontei nada!
Haha, nada disso, era a Eugênia, uma gaúcha a qual vínhamos conversando a um tempo já e sabíamos que ela faria um roteiro quase igual ao nosso e reconheceu nossa turma. Eugênia tinha uma forma de falar engraçada e divertida, devido a sua entonação de voz. Junto com ela estava Rose, gente finíssima também, parceira de mochilão. E ali começou a proliferação de brasileiros, que como diz a Liz, brasileiro é igual barata, tem em todo canto do mundo. E é sério, é incrível, você olha para um lado vê um brazuca, logo aparecem de penca!  Na mesa de trás estava Marcelo, mais um brasileiro (sim! mais um brasileiro, tipo tartaruga ninja que sai do boeiro hahaha). Porém ele já estava no final do mochilão e nos deu bastantes dicas.
Saímos para dar uma volta e conhecer um pouco de Santa Cruz (não há muito que se fazer por lá). Fomos até a praça central, onde havia bastante gente curtindo a noite e uma belíssima catedral havia ali. 

Prédio em frente a Plaza 24 de Septiembre
Fizemos um lanche em frente a praça, no restaurante La Pascana (esse restaurante fica em frente a Catedral, bem na esquina), e lá fui eu provar mais uma cerveja diferente...agora a Paceña Ice. O vento nesse lugar era tanto que ao abrir o cardápio, a Liz levou um “tapa” na cara do cardápio hahahaha....a gargalhada foi geral! Cada um pediu uma cerveja do seu gosto...por aí vocês já imaginam como foi o resto da viagem né...já que a água por lá não é confiável, melhor ficar na cerveja hihihi.


A vista desse restaurante é belíssima. Fica em frente a praça central e a catedral, bem na esquina...é interessante levar um casaquinho porque o vento lá em cima é geladíssimo!

A foto tá ruim pacas, provavelmente efeito das cervejas no fotográfo, mas está ali atrás a catedral de Santa Cruz!

Eu e Liz resolvemos fazer uns selfies com a “decoração” do restaurante. Havia um pirata, um guerreiro e um tigre hahaha...como sempre zoeira né, porque a zoeira nunca acaba hahaha

The zoeira never end

never end...

Na volta para o hostel, paramos em dois Pub’s (medooooooonhos) e descartamos qualquer possibilidade de passar a noite nestes lugares (já imaginei aquela gente feia me sequestrando para vender meus órgãos- com exceção do fígado rsrsrsrs - e fazer peruca com meu cabelo hahahaha)...descartamos também a possibilidade de jogar sueca, visto que tínhamos um vôo logo pela manhã para a cidade de Sucre.
A palavra Sueca vai aparecer muito nesse blog rsrsrs, então deixa eu explicar...é um jogo de cartas e bebida, um drinking game divertíssimo, com auto poder de causar alzheimer, amnésia, mau de Parkinson e aí por diante. E só para os fortes!  Sempre tem alguém que “perde a caixa preta”, ou seja, fica mais louco que o Batman, bebaço mesmo. Minha missão de disseminar a sueca pela América do Sul foi concluída com sucesso!!!
Sueca com pisco, e a dignidade se perde por aqui
Paramos em um mercado e compramos mais algumas Paceñas para tomar no hostel. Não podia levar bebida de fora para o hostel, então ficamos conversando e tomando Paceña na rua mesmo na calçada do hostel (melhor forma de traduzir o fato de que fomos expulsos do hostel rsrs). Apesar do vento, estava uma temperatura muito agradável e um papo gostoso.
Fomos dormir, pois eu já estava acordada a dois dias e o corpo implorava por uma cama (mesmo sendo um colchão fino a ponto de sentir as tábuas, esse para mim foi um dos pontos negativos do hostel Jodanga)...o corpo estava exausto, mas a mente leve e o coração feliz de estar realizando um sonho!

Despesas dos dias 01 e 02: 
Ônibus Joinville – Curitiba + van
36,00
Proteção bagagem (totalmente desnecessária, pois sua mochila vai estar um lixo já na primeira semana)
40,00
Alimentação (dias 01 e 02)
65,00
Taxi
6,00
Hospedagem
30,00
TOTAL
177,00

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mochilão 2014 - Bolívia, Chile e Peru - DICAS!!!



Ei você que adora colocar o pé na estrada! Que não tem freio, ama a vida acima de qualquer coisa, e se surpreende diariamente com o que o mundo e a natureza nos proporcionam... e você também que sente aquela coceirinha no pé, tem uma vontade enorme de conhecer o mundo e não sabe por onde começar...Eu lhe digo, conheça a América do Sul! Dê esse crédito aos nossos países vizinhos, tenho certeza que irá se surpreender.
Já viajei para alguns lugares, mas estou bem longe de conhecer o mundo, aliás, minhas mochiladas estão somente começando. Mas por relato de pessoas as quais conheci nessas minhas andanças, que conhecem muitos lugares do mundo, posso afirmar que a América do Sul não deixa nada a desejar, aqui a natureza caprichou muito! E o custo para uma viagem aqui, é bem atrativo $$$
No início de 2014 estava planejando um mochilão com mais três amigos. Nossa viagem não deu certo, pois cada um teve um motivo particular para desistir. Mas a ideia de colocar uma mochila nas costas e sair por aí não me saiu da cabeça. Comecei a procurar companhia na internet. E se não encontrasse, quem me conhece sabe que coragem não faltaria para fazer essa viagem sozinha. Em resumo da ópera, encontrei a Érica pela internet, depois a Liz nos descobriu através de seu irmão que trabalha comigo, e o Alan nos encontrou no grupo Companhia para Viajar, no Facebook. Quatro estranhos fizeram uma grande amizade e colocamos o pé na estrada.
A viagem toda custou R$ 4.950,00 (tudo, tudinho! Passagens, lembrancinhas, comida, hospedagem, bebedeira e etc...)

Começamos pela Bolívia (Santa Cruz, Sucre, Uyuni), passamos por San Pedro de Atacama no Chile, seguimos pelo Peru (Arequipa, Nazca, Ica, Cusco, Águas Calientes, Machu Picchu e Puno) e terminamos a viagem na Bolivia (Copacabana e La Paz). 30 dias na estrada!


Roteiro do mochilão

Bom, aqui vão algumas dicas, para você que vai encarar essa:

- Nem todo lugar aceita cartão de crédito, leve somente dinheiro em espécie (ou pelo menos a maioria de sua verba em espécie), e somente dólar;

- quando comprar dólar, muito cuidado com as notas que pega. Em nenhuma cidade eles aceitam notas de dólar que não estejam absurdamente intactas. Qualquer rasgadinho mínimo, ou amassadinho já é motivo para não aceitarem sua nota! Então certifique-se de que a nota que estão te passando esteja em PERFEITO estado!

- remédio para altitude: Diamox (é um remédio diurético, então prepare-se para a mijadeira). Leve também outros remédios comuns, para dor de cabeça, diarréia (imosec), engov (muito engov), anti alérgico, etc...

- manteiga de cacau, MUITA manteiga de cacau, colírio e creme para pele ressecada;

- Trajeto Sta Cruz – Sucre: faça de avião! Se comprar com antecedência não sai tão caro e você não corre o risco de ter que ajudar a tirar o ônibus da lama e perder um dia de viagem. Não vale a pena o risco.

- Use doleira e leve ela junto com você até para tomar banho. Jamais desgrude da sua doleira, e de seu passaporte. NÃO DESGRUDE DO SEU PASSAPORTE! Se for sair a noite e acha que pode perder a caixa preta, deixe suas coisas em algum lugar muito seguro, mas não corra o risco de perder. IMPORTANTE: não perca aquele comprovante que te dão na imigração, quando você entra em algum país. Você precisará dele para sair do país que estiver.

- Deixe cópias autenticadas de seus documentos com alguém de confiança aqui no Brasil e leve uma cópia consigo. Não esqueça também do certificado de vacinação da febre amarela, ninguém me pediu, mas se te pedirem e você não tiver, esqueça, acabou seu mochilão por ali.

- Cadeados! Muitos cadeados, pelo menos 3!

- Uma mochila confortável e com fácil acesso para pegar as coisas de cima e lá do fundão...

- Lenço umedecido aos montes! Em alguns lugares não há nem banheiro decente, quem dirá papel higiênico. Pode ter certeza que em algumas ocasiões você vai tomar banho de lenço umedecido hahahaha

- Compre uma tolha própria para mochileiros, elas secam super rápido e não ocupam espaço (comprei a minha na Decatlhon);

- Leve roupas térmicas. Em alguns lugares faz muuuuito frio (muito frio, tipo -18 graus), então roupas próprias para isso são bem importantes. E leve um corta-vento! É um casaco super fino, para jogar por cima de toda a roupa, indispensável para você não virar um picolé;

- Eu levei um Diário de viagem...super interessante, comprei na Livraria Curitiba, 15 pila, tem muita informação legal, você pode anotar finanças, pessoas que conheceu, tem as principais expressões de vários países e várias páginas em branco para você anotar tudo o que acontece...Super bacana!

Diário de viagem!

E o mais importante: ENCARNE O ESPÍRITO DE MOCHILEIRO! Você vai passar perrengue, vai passar frio, fome, conforto e privacidade zero, vai tomar muitos banhos frios, e vai ter dias que não vai nem sequer ter como tomar um banho. Mas não desista, a experiência é única! Vai conhecer lugares de tirar o fôlego e vai fazer amizade com gente de todo canto do mundo. Vai sentir aquela sensação de liberdade, que nada no mundo paga!
NÃO DESISTA, FAÇA UM MOCHILÃO!  Larga essa família de quati que você tem nas costas, levanta essa bunda da cadeira e vá!!!

Final de mochilão! Modo mendigo ativado!



Muito riso, pouco siso e as loucuras de Luisa


Pensa em uma pessoa que tem um romance sério e eterno com Murphy!!! Sim! Murphy me ama loucamente e me acompanha todos os dias hahaha!

Brincadeiras a parte, criei esse blog para compartilhar um pouco das minhas loucuras premeditadas e as não premeditadas (ou melhor essas são premeditadas por Murphy). Porque na minha vida quase nada é normal, até as coisas que eu gostaria que fossem não são!

Perrengues, situações hilárias, engraçadas (outras nem tanto), acabaram me dando um grande acervo de histórias para compartilhar...espero que se divirtam, e sim, podem dar risada da desgraça alheia! Eu deixo!

Outro ponto forte aqui será o relato do mochilão feito esse ano. Então, mochileiros de plantão, fiquem de olho que vai ter muito post interessante para vocês aqui!!

E o nome Muito riso, pouco siso...Luisa, sua maluca, porque esse nome Muito riso, pouco siso? Para quem não conhece, esse dito popular tem a ver com diversão e juízo! Sem contar meu nobre apelido que pode ser explicado pela foto abaixo... #bocones!