segunda-feira, 15 de maio de 2017

Como começou minha paixão por viagens!


Seria trágico se não fosse cômico! Ou seria cômico se não fosse trágico?
Sabe aquelas histórias tristes com final feliz? Tipo novela? Aquela mocinha que sofre o filme inteiro e no final está feliz e saltitante com seu príncipe encantado que afaga sua linda barriga de grávida?
Pois é! Minha história foi mais ou menos isso, porém ao invés de casar com um príncipe encantado, casei com uma mochila e com o mundo.

A minha história era para ter o mesmo rumo da história dessa mocinha que encontrou seu príncipe encantado. Vamos nomear essa mocinha de Gertrudes, para facilitar o entendimento.
Tudo na minha vida andava dentro da normalidade (tirando o fato de eu quase ter morrido por conta de uma embolia pulmonar). Emprego, família, namorado, amigos e por aí vai. E as coisas iam tomando seu rumo. Assim como na vida de Gertrudes!

De repente, sem aviso, aconteceu algo que eu nunca imaginava que aconteceria comigo. Algo que mudou para sempre minha vida. Já tinha ouvido falar de muitas pessoas que passaram por isso, e cada uma se adaptou de uma forma. Enfim, quando eu menos esperava, esse fato apareceu, mais rápido que o Papaléguas correndo do Coiote! Pois é... tomei galho! Diversos, de vários tipos e tamanhos. Descobri que eu era corna, e MUITO corna! E minha história não teria o mesmo final que a história feliz da Gertrudes. Bom... tudo tem sua primeira vez, e quem aqui nunca tomou um galho hein!? Feliz é quem nunca levou um!

Aquilo doeu muito! Doeu mais que injeção de penicilina, mais que bater o dedinho do pé no canto da mesa. Minha única vontade era sumir disso tudo, dessa dor, sumir pelo mundo com uma mochila nas costas...Rá!!! Já matou a charada né? 
É, foi aí que descobri que o meu ex não era a paixão da minha vida... que o mundinho que ele me deu era pequeno demais para mim.

Comecei a materializar minha vontade de cair pelo mundo. Por hora, decidi começar pelos nossos queridos países vizinhos. A ideia inicial era viajar com mais dois amigos, mas devido a particularidades de cada um, eles desistiram. Mas a ideia não me saiu da cabeça e comecei a procurar companhia na internet para fazer meu primeiro mochilão. A essa altura do campeonato, eu já estava tão empolgada e envolvida com a ideia da viagem, que já não lembrava mais da existência daquele ser que me fez sofrer tanto, vulgo ex-namorado.

Encontrei 3 incríveis serumaninhos na internet para viajar comigo, os quais mantenho uma amizade até hoje! Nos conhecemos no aeroporto e seguimos viagem. Foi insanamente incrível!

Bom, o restante da história vocês já devem imaginar. Cai na estrada e viciei. O que inicialmente era uma fuga se transformou em uma grande paixão. Mas aprenda uma coisa: uma viagem não vai resolver seus problemas, você vai voltar de viagem e todos os problemas estarão aqui te esperando, com um grande cartaz de boas vindas e um balde de água gelada. Porém, você voltará com uma mente mais aberta, e será capaz de absorver tudo de uma forma diferente. Inclusive saberá como enfrentar todos esses problemas de uma forma mais leve e tranquila.

Bom... quanto aos meus galhos, enterrei-os e tratei de esquecê-los muito antes de embarcar. E quanto ao meu ex tenho apenas duas observações: primeiramente um muito obrigada! Aquele galho me deu uma vida nova, e com certeza evolui muito por conta disso. E a segunda observação é outro muito obrigada! Muito obrigada por me dar a oportunidade de me descobrir, de saber quem eu realmente sou. E como dizem, até um pé na bunda te empurra pra frente!

Mas Luisa, a Gertrudes foi feliz com seu príncipe encantado e seu lindo bebê...você não pensa em ter uma vida como a dela?
Fico feliz pela Gertrudes! Ela é muito merecedora da sua felicidade. E cada um acha a felicidade onde o destino reservou. Entendo que as pessoas podem ser mais felizes com outra pessoa ao seu lado, mas primeiro aprendi a me amar. E sim, espero um dia ainda encontrar um parceiro ou quem sabe ate mesmo o mochileiro das galáxias pelo caminho, para seguir pelo mundo ao meu lado e quem sabe tenhamos um mochileirinho a tira colo... quem sabe! E se eu não o encontrar, é porque eu tenho outro propósito nesse planeta.

Enquanto isso, a vida segue com muita coisa boa para fazer.
E repito...uma viagem não vai resolver seus problemas, mas certamente vai te ajudar a encontrar outras saídas!

Viaje! Permita-se!



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pucón - a pequena e encantadora cidade ao redor do vulcão Villarrica




Minha passagem por Pucón foi cheia de emoções...primeiro por ir a uma cidade tão meiga, cheia de charme, dessas que faz o coraçãozinho amolecer mais que paixão de adolescência. Segundo por ser meu porto seguro após um terremoto no Chile. Terremoto? De novo? Pára tudo! Miga sua louca, explica esse história! 
Vou explicar...pelo segundo ano consecutivo, fugi de um terremoto durante uma viagem. No ano anterior, peguei um terremoto no Peru, voltando de Machupicchu, e nessa viagem fugi de um terremoto no Chile! Mas peguei um vulcão em atividade.

Coitado do meu anjo da guarda...sempre passando perrengue! Logo ele se revolta e pede férias!

O meu sumiço e da Liz na nossa chegada em Pucón gerou alvoroço aqui no Brasil. O fato é que um dia antes estávamos em Valparaíso, cidade que foi atingida por um terremoto de 8,4 graus logo que saímos de láDevido as horas de translado de Valparaíso até Pucón, e o tempo dos passeios na cidade, ficamos por várias horas "sumidas" do mundo virtual e de qualquer tipo de comunicação. Estava eu e a Liz em um restaurante, ela tomando seu drink e eu uma cerveja local, até que vimos na televisão a notícia do terremoto em Valparaíso...a cidade ficou destruída, foi triste. Mas nós já estávamos bem longe de lá.
Logo imaginamos que o povo aqui do Brasil estaria preocupado. De fato, conectamos no wi-fi do hostel e o celular travou de tanta mensagem e ligação. O pessoal aqui surtando de preocupação e nós duas super alegres e saltitantes passeando e bebendo!

Bem belas e saltitantes sem saber do terremoto
Chegamos em Pucón com muito frio, -3 graus! Sem contar aquele vento que levava a temperatura mais abaixo ainda. Nos hospedamos no Pucón Hostel. Super recomendo. Você vai pagar um pouco a mais do que os outros, mas nada que uma boa negociação não resolva! O hostel é muito bom. Lá quem nos atendeu foi o Marcelo...um cara gente boa, que falava pelos cotovelos e usava umas roupas bizarras. Dessas figuras que você acha que saiu de uma história em quadrinhos. Nos ajudou bastante, deu várias dicas, mas a gente tinha que fugir dele porque quando começava a falar não parava mais!


Nosso objetivo em Pucón era escalar o vulcão Villarrica. Mas o queridão estava em atividade, logo não foi possível fazer o passeio. Olhar para o vulcão a noite era lindo...dava para ver a parte de cima dele avermelhada. Coisa de filme!
Trocamos a escalada por uma tarde de esqui na base do vulcão...foi lindo, cada tombo histórico, cada situação bizarra, mas ao menos garantiu boas risadas. Esqui é mais um dos esportes que entrou na lista das atividades que eu sou muito ruim mesmo! 
Além do esqui, fizemos um passeio por algumas quedas d'agua e águas termais lá na cidade.


Águas termais

Se tem algo que eu detesto, são esses passeios comprados por empresas locais, o qual você passa por uns 10 hotéis para buscar todo mundo, tem um tempo muito limitado para ficar nos locais e geralmente tem um guia com piadas sem graça tentando agradar. Sempre fujo disso e tento fazer por conta própria, porém dependendo do lugar não tem como. Esse passeio nas águas termais foi um desses casos, o qual precisei comprar em uma dessas agências. O guia de fato era muito chato, mas o passeio até que valeu muito a pena.
Nesse dia compramos um tour por algumas quedas d'agua e águas termais. Considerando que eu moro em Santa Catarina, e temos várias belezas naturais aqui, as quedas d'água não me surpreenderam. Mas a parte das águas termais valeu muito! O lugar é lindíssimo, tem uma boa estrutura e você sai daquela água se sentindo outra pessoa. E a água é incrivelmente quente! Uma delícia! 



Eu e a Liz ficamos um tempão dentro da piscina das águas termais. Depois colocamos toda a roupa, porque estava muito frio fora da água e ficamos passeando pelo local, onde tem uma vista belíssima...e um balanço...você se sente na quinta série de novo...




Esqui no vulcão Villarrica

Já que não foi possível escalar o vulcão, optamos por esquiar...ou melhor, tentar esquiar! Depois desse dia descobri que sou incrivelmente ruim para isso. Mas valeu a brincadeira, meu mal jeito para esquiar rendeu boas risadas para quem assistia. Encontramos uma turma de cinco brasileiros e um alemão, e partimos para o esqui. Não vou mais entrar em detalhes, vejam por si mesmos...assistam o vídeo abaixo e entendam o real significado de vergonheira master e da expressão "Foi assim que Napoleão perdeu a guerra".


video


Na volta do passeio paramos em um barzinho e tomamos um chopp com o pessoal da trip. Para mim, essa é uma das melhores partes de um mochilão...as pessoas, as culturas que conhece.
Depois disso fomos em busca de passagem para San Martin de Los Andes (mais uma cidade super meiga da Patagônia). De San Martín partimos à Bariloche.

Compramos as passagens pela Iggilaima.


 
Pucón ganhou um espaço especial no coraçãozinho da loira aqui. O lugar é uma delícia, lindo demais. O vulcão Villarica cerca a cidade, de qualquer ponto você vê ele bem lindão, coberto de neve. Pucón é uma cidade pequena, pode-se fazer tudo a pé. Para quem procura agito, esquece. A noite de Pucón é bem pacata, no máximo você consegue alguns barzinhos.
Vulcão Villarica ao fundo



Vulcão lindão!



Gastos em Pucón:
O Chile não é um dos países mais baratos da América do Sul. Mas vale cada centavinho gasto, vai por mim! Segue abaixo principais gastos (viagem feita em 2015):
Pucón Hostel: 10000 pesos (pechinchando muito!). Vi gente se hospedando em hostel que custava 7000 pesos, porém não eram muito bons.
Passeio nas águas termais: 18000 pesos
Esqui no vulcão Villarica: 18000 pesos
Alimentação: isso varia do seu gosto e exigência. Eu gastei desde 4500 pesos até 18000 pesos.

Minhas observações sobre o Pucón Hostel:
Você encontra mais baratos, porém pechinchando conseguimos baixar o preço. Super recomendo esse hostel, é bem localizado, limpinho e super confortável. Fica em frente a rodoviária e praticamente na esquina da rua principal de Pucón.



quinta-feira, 30 de março de 2017

Algumas coisas que nunca vão te falar sobre viagens de mochilão



Você sabe quanto custa ver a super lua ao anoitecer no deserto do Atacama? Consegue estimar preço para ver um céu com tantas estrelas e tão próximo a ponto de achar que pode tocá-las com seus próprios dedos? Ou ainda, sabe quanto custa brincar com llamas pelas ruelas de Machupicchu enquanto elas tentam roubar sua bolacha waffer?

Talvez te custe aquela bota de couro que você tanto tá querendo, ou aquela noitada regada a bebida e ostentação...ou ainda aquele carro com cheirinho de novo, aquele mármore lindo na sua pia do banheiro, ou aquele perfume importado que todos a sua volta elogiam.

Talvez você esteja disposto a largar tudo isso para colocar o pé no mundo. Ou talvez você corte apenas alguns gastos supérfluos em troca de uma viagem uma vez ao ano para algum canto que goste. Esse canto pode ser aqui do lado ou do outro lado do mundo. Ou ainda prefira nunca viajar e ter um carro zero super confortável...afinal, o dinheiro é seu e você usa ele da forma que mais te faz feliz.

O que acontece é que a maioria das pessoas que não tem o costume de viajar, se questiona muitas vezes: porque eles gastam tanto com viagem? Isso é dinheiro jogado fora!

Bom...primeiramente, você não precisa ser rico para viajar...se você estiver disposto, pode ficar em hospedagens baratas (hostel, albergue, couchsurfing), comer comidas baratas, ou ainda cozinhar sua própria comida. Não, isso não é um sacrifício e muito menos sofrimento...andar de transporte urbano nas cidades aí afora também não vai te cair um braço!

Mochilão é muito mais que um hobby, muito mais que uma viagem de “modinha”....é um estilo de vida, um estado de espírito, uma conexão fantástica com a natureza e o mundo.

Certamente algumas vezes você terá fome, ou vontade de comer aquela comida maravilhosa do melhor restaurante da cidade...e vá terminar o dia com um prato de miojo. Talvez seus pés reclamem de cansaço, e algumas bolhas te acompanhem pela viagem. Talvez você se meta em furadas, e talvez você não imaginava que aquele hostel era tão ruim a ponto de preferir ficar na rua. Talvez o peso da mochila canse suas costas. Mas seu coração, seus olhos e sua mente nunca se cansarão. 

Nada no mundo vai pagar a emoção que senti sendo pega de surpresa pela super lua ao anoitecer no deserto do Atacama. Nada paga o preço de ver as estrelas do céu do Salar de Uyuni de madrugada, tão próximas aos meus olhos, e sem dúvida o céu mais estrelado que já vi na vida! Foi lindo, mesmo suportando 18 graus negativos no meio do deserto. Ver a borda de um vulcão em erupção à noite, toda vermelha, em uma cidade tomada pelo gelo paga todos os pratos de miojo que já precisei comer. As várias cores do mar do caribe...ahh o mar do caribe...minhas costas até esquecem o peso da mochila. Aquela pessoa que mora do outro lado do mundo, e virou seu melhor amigo ao dividirem uma mesa de hostel para jantar, essa você nunca vai esquecer. Aquele nativo que te ajudou enquanto você estava perdido pelas ruas de uma cidade qualquer e ainda te deu muitas dicas do local, você vai lembrar dos olhos dele até seu último dia. Conhecer tudo sobre a ásia, através do seu colega da cama ao lado naquele quarto com 18 pessoas no hostel, vai fazer você esquecer por hora do conforto da sua cama.

Passei meu último aniversário fora do país, viajando sozinha, longe de meus amigos e família e sem grandes comemorações. Nesse dia apenas fui a um barzinho com mais algumas pessoas que eu havia conhecido a pouco mais de uma hora na sala de estar do hostel. A noite foi tão divertida, as pessoas me trataram tão bem, que parecíamos amigos de uns 10 anos! Teve parabéns em português e espanhol, teve bolo e teve bebida local. Foi um dia feliz e inesquecível.

Viajar te traz sensações, sentimentos e um auto conhecimento que curso nenhum, bem material nenhum vai te trazer. Ninguém veio ao mundo apenas para acumular bens...
Viaje! Veja o mundo com seus próprios olhos, não pelo o que as revistas mostram! Permita-se!

Devaneios de uma quinta-feira a noite...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Torres del Paine! Como foi viver dois dias no modo primitivo e minha quase morte lá


Vou relatar aqui sobre minha ida a Torres del Paine, passeio feito no mochilão de setembro de 2015, na Patagônia.

Não é de hoje que sei dos meus neurônios a menos...e sendo bem franca, sou muito feliz com minhas maluquices...porque de louco e médico todo mundo tem um pouco! E é claro que eu não poderia deixar de fazer alguma loucura lá pelas bandas da Patagônia! Considerando que minha parceira de viagem também tem problemas sérios em fazer bizarrices, boa coisa não ia sair dessa viagem.


Bom, o caso aqui, ao invés de maluquice eu chamaria de aventura e superação de limites. Ao ver as fotos de Torres del Paine e o circuito W, surtei! O lugar é lindo demais... Eu precisava muito conhecer. Mas lendo a respeito de como chegar, as dificuldades que eu teria que passar, praticamente descartei a ideia. Inclusive quando um amigo me perguntou se eu faria a trilha completa, eu respondi: tá doido! São 78 km! Sem conexão nenhuma com o mundo, acampar no meio do mato por cinco dias, fazer pipi no mato, comida escassa, caminhar 78km com uma mochila pesada nas costas, temperatura negativa e ainda correr o risco de ser atacada por um puma e pegar ventos de mais de 100km...Jamais! Sem chance!
...
Pois é...
...
Então...
...
...
...
Mudei de ideia e resolvi fazer a trilha! Aeeeeeeee uhuuuu, eu e minha amiga louca resolvemos fazer.

Muito antes da viagem eu e a Liz já havíamos pesquisado muito sobre o famoso Circuito W e ambas estavam de acordo e preparadas. Sabíamos que não seria nada fácil. Mas fomos em frente. Não sabíamos o quão difícil seria!


Mapa do Circuito W
Um dia antes, passamos no mercado em Puerto Natales e compramos comida para os 5 dias. Calculamos diversas vezes. Estaríamos no meio do nada, se faltasse comida, passaríamos fome...se sobrasse comida, seria um peso extra por 5 dias nas costas. O bagulho começou a ficar tenso! Ao arrumar a mochila e ver que eu estava levando apenas duas mudas de roupa e o resto era somente comida, barraca, saco de dormir, bastões de escalada, fogareiro e demais coisitas necessárias para a trilha, bateu um frio na barriga e uma vontadezinha de desistir. Eu e a Liz nos olhamos sérias sem falar nada. Acho que ambas estavam com o mesmo sentimento. Medo e a certeza de que somos malucas. Nessa hora lembrei da promessa que fiz a minha mãe, de voltar viva.

Chegamos na entrada do parque. A primeira coisa que você tem que fazer é um treinamento de como se comportar se você se deparar com um puma...sim...um PUMA! Cara, eu não quero ter que fugir de um puma haha. Com certeza subornar llamas em Machu Picchu com um pacote de bolacha waffer seria fichinha perto de encarar um puma. Mas ok! Passaram mais algumas orientações, como por exemplo, não fazer fogo, não fazer fogo, e em hipótese nenhuma fazer fogo! hahaha não coloquem fogo em uma das trilhas mais lindas do mundo seus idiotas! Ok, entendido!



O ônibus nos largou na entrada da trilha e o motorista desejou boa caminhada...me pareceu um pouco sarcástico...nossa e que frio na barriga! Agora era eu, Liz e nossas mochilas. 


Olha o sorrisão! Felizona!
Começamos a caminhar...não demorou muito para começar a aparecer os perrengues. Dois dias antes havíamos feito uma trilha em El Chaltén, e nossas pernas ainda doíam. Liz começou a sentir a perna doer logo no início. Andamos mais um pouco e encontramos uma chilena quase desistindo da trilha logo no primeiro quilômetro. O problema dela foi muito fácil de resolver...era apenas a mochila desregulada ao seu corpo. Ajudamos ela a ajustar a mochila e ela seguiu conosco. Muito querida por sinal!

Resolvemos iniciar o circuito ao contrário, pela última "perna" do W, para chegarmos as tão desejadas torres. Se não aguentássemos fazer o circuito completo, ao menos o objetivo principal havia sido alcançado. Porém, a parte das torres é a pior, a mais difícil, aquela a quão você se xinga o tempo todo por ter tido a infeliz ideia de fazer aquilo. E sabe o que é o pior? Não tem como desistir. Você está em meio ao nada, não tem como chamar um taxi e ir embora rsrs.

Subimos 5 quilômetros, muito tensos por sinal. E bendito inventor do bastão de escalada, sem eles teria sido impossível chegar lá. Tivemos sorte de não encarar os tão temidos ventos de 100km/h da Patagônia. Passamos por lugares, que se batesse vento, não haveria chance de não cair do barranco. 



Chegamos ao acampamento mortas com farofa. E aí sabe o que descobrimos? Tchanammmm...o acampamento estava fechado. Estávamos fora de temporada...P@$&@! Sem banheiro, sem água, sem privada, sem luz...só nós e o mato! Não tínhamos opção, montamos a barraca ali mesmo. Montar aquela barraca toda esquisita foi mais difícil que tirar calça jeans molhada ou procurar uma virgem de 20 anos! Andrea, a chilena que estava com problemas com a mochila lá no início nos ajudou e demos jeito de montar a barraca. Fez muito frio nessa noite, quase congelei.


Nosso acampamento
Nossa intenção era acordar as 4 da manhã e seguir rumo as Torres, com o objetivo de chegar lá antes do nascer do sol e ver o espetáculo do sol transformando as torres em barras de ouro. Um casal que foi um dia antes já havia nos aconselhado a não fazer isso, pois a trilha é muito difícil e mal demarcada. Acordamos as 4 da madrugada, mas a temperatura estava negativa e chovia. Esperamos o amanhecer...

Do acampamento dava para ver as torres lindas! Com o sol batendo! Que espetáculo! E que vontade de estar lá. Arrumei a mochila e parti junto a Liz e a Andrea. As câimbras da Liz continuavam e ela e Andrea resolveram ir mais lentamente tirando fotos. Eu parti sozinha.


As Torres brilhando feito ouro
Andei os três primeiros quilômetros de subida. Foi difícil, mas suportável. Até que cheguei a uma placa que informava que faltava um quilômetro. Agora a p@$&@ ficou séria!




Gente! Quando me falaram que dava vontade de morrer no último quilômetro, não era mentira! E para ajudar eu ainda me perdi da trilha. Que tenso! Meu corpo doía muito e o desespero começou a bater na hora que eu me afundei na neve até metade da coxa. Perdida da trilha, é claro! Loira, tansa e teimosa, tem que se ferrar mesmo! Olhei para baixo e me deu 7 tipos diferentes de ruim em ver onde eu estava...afundada na neve, em um lugar super íngreme e qualquer outro passo em falso já era para mim. Lembrei da promessa que fiz a minha mãe de voltar viva. Olhei para todos os lados e não havia ninguém por perto que pudesse me ajudar. Foi quando pensei, ainda bem que estou com uma luva rosa pink, vai ser fácil de encontrarem meu corpo na neve rsrs! Que tenso!

As torres estavam muito perto, aproximadamente a 500 metros de onde eu estava. Mas se eu seguisse por aquele caminho colocaria minha vida em risco. Resolvi voltar a passos de tartaruga com o máximo de cuidado e quase chorando de não conseguir chegar ao meu objetivo. Saí da neve, onde era minha zona de perigo. Voltei seguindo o caminho de um rio em meio as pedras até que...achei a trilha de novo! Lá estavam as marcações! FDP de quem fez essas marcações meia boca, devia estar bêbado ou chapado! Rá! Chupa sociedade! Voltei a subir, agora prestando mais atenção a trilha. Porém, as marcações são realmente muito ruins! Me perdi de novo. Mas dessa vez voltei logo que vi que me perdi e achei a trilha novamente. Consegui ir mais longe dessa vez e vi algumas gringas, que de longe que me apontaram o caminho correto. Eu olhava as torres brilhando e as nuvens se aproximando, repetia o tempo todo, me esperem brilhando suas lindas! Nuvens, saiam daí!!

Eu cheguei até as Torres! Depois do susto e tamanho esforço, a vontade foi de chorar. O lugar é lindo demais. Eu estava exausta, assustada e imunda! Fiquei por uma meia hora sozinha, sentada na beira do lago congelado, eu e as torres, admirando aquele espetáculo da natureza. Cada vez que caía uma pedrinha das torres, o barulho que fazia no lago congelado era assustador. As nuvens infelizmente chegaram antes de mim até as torres, mas mesmo assim não tirou a beleza do lugar. Minha admiração foi tanta que quase esqueci de tirar fotos.



Resolvi voltar, com sensação de dever cumprido e alma lavada. Durante a descida encontrei a Liz e a Andrea subindo. Dei algumas orientações, para que elas não fizessem a mesma burrada que eu. A minha empolgação era tanta que fui descendo e não demorou para eu cair o primeiro tombo...no rio. Levantei, peguei meus bastões e continuei. Caí mais um tombo. Bem minha cara mesmo! E veio o terceiro tombo, e o quarto hahaha. Nesse último, um casal de brasileiros me ajudou a levantar, já que eu havia me machucado com os bastões na queda. Cheguei no acampamento suja, cansada e toda ralada, mas felizona...sorriso de orelha a orelha. Desmontei a barraca, arrumei as mochilas e fiquei descansando, esperando a Liz voltar.

Eu estava viva...e cheguei até as torres! Não queria mais nada além disso, e um prato de miojo!

Ojala!

PS. apenas por curiosidade, não fiz o circuito completo. Muitos acampamentos ainda estavam fechados e perderíamos muitos dias em Ushuaia, que era um dos nosso principais destinos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Machupicchu - lugar cheio de mistérios e dono de uma energia renovadora



Sabe aquela data que você aguarda ansiosamente? Pois é, o dia de conhecer a famosa e misteriosa Machupicchu havia chegado. Lá estava eu e meus companheiros de trip aguardando o trem que nos levaria até Águas Calientes, de onde posteriormente pegaríamos rumo a Machupicchu. Depois da minha estadia louca em Cusco, fui dormindo o trajeto todo (são aproximadamente 3 horas de trem de Cusco a Águas Calientes). Lá estava eu babando igual criança pequena, toda torta no banco do trem. Perdi de apreciar boa parte da paisagem, o trajeto é lindíssimo, porém meu corpo implorava por umas horinhas de sono. Fui dormindo.

Chegamos em Águas Calientes. Deu um friozinho na barriga pensar que eu estava tão perto do meu tão aguardado destino. Fazia calor, e a cidade é bem interessante. Não há carros, nem motos, somente o trem e os ônibus que fazem o trajeto de Águas Calientes até a entrada do parque de Machupicchu. Então você pode andar tranquilamente pelas ruas da cidade sem medo de passar uma moto a mil por você, ou ter que olhar para os lados para atravessar uma rua. É agradável. Além disso, a cidade é uma ladeira. Dica: deixe de preguiça e suba as ladeiras se quiser economizar dinheiro. A medida que você vai subindo, percebe que o preço dos restaurantes vai baixando..#ficadica!


Águas Calientes

Sem carros, sem motos...somente o trem!

As ladeiras de Águas Calientes
Como todo bom mochileiro, estávamos pechinchando tudo. Nos hospedamos em um hostel bem baratinho (Hostel Joe Inn) e com a falsa promessa de água quente e silêncio. Mais uma vez mentiram para nós haha...o hostel era barulhento e a água do chuveiro parecia água de geleira. Cada um que ia tomar banho xingava meio mundo. Chegava a ser engraçado...mas ok, estávamos indo a Machupicchu, então tá valendo!

A noite comemos pizza em um restaurante bem aconchegante. Havia um sagui nesse restaurante, chamava-se Ricardo. Eu adoro perturbar os bichinhos, mas nesse dia me contive hehe.

Ricardo, o sagui
No dia seguinte acordamos cedinho e as seis horas da manhã chegamos na fila para pegar o ônibus até o parque (e a fila já estava gigante). Gente....não façam essa besteira! Não tem porque querer chegar tão cedo. O parque não vai fugir de ninguém, tá a muitos anos lá paradinho, logo, não há motivo para pressa! Hoje eu iria bem mais tarde. Todos querem ir cedo..é uma muvuca! Você quer tirar uma foto e tem cinquenta pessoas atrás...ahhhh vá! É um saco! Definitivamente, você não precisa ir tão cedo. Depois do meio dia o parque esvazia muito e dá para fazer tudo sossegado. Deixe de ser ansioso e aproveite mais a sua cama quentinha. Meio período é suficiente para conhecer o parque. 

Gente...resumidamente...COMO CHEGUEI EM MACHUPICCHU: se não é seu objetivo fazer as trilhas, que duram em média 4 dias de caminhadas, há uma forma super tranquila de chegar em Machupicchu. Trem e ônibus. Eu estava em Cusco, de lá peguei o trem até Águas Calientes (mais ou menos 3 horas de viagem). Dormi em Águas Calientes e no outro dia de manhã peguei o ônibus da Águas Calientes até a entrada do parque. O ônibus te deixa na entrada! Não tem erro! Super fácil. Apenas uma dica, compre o trem com bastante antecedência (meses antes). E claro, tenha já comprado com muita antecedência a entrada no parque, pois há limite de 2500 visitantes por dia.

Bom..vamos ao que interessa. Chegamos na entrada no parque e contratamos uma guia. Eu super recomendo...os guias cobram um valor fechado para duas horas, então você pode se juntar com mais gente e não fica pesado para ninguém. Visitar Machupicchu sem conhecer a história daquilo tudo, não tem o menor sentido. Será mais um monte de pedras que você vai ver, falando grosseiramente. Dá para carimbar o passaporte na entrada do parque...é uma bela recordação!

Entramos e lá estava...nossa...que frio na barriga...realmente é incrível! Lá estava Machupicchu diante dos meus olhos...que sensação mágica estar em Machupicchu, e não tem como negar, o lugar ter uma energia diferente, de arrepiar...só estando lá para sentir. Machupicchu é realmente tudo que vemos na internet, revistas e tals...e eu fui em um dia lindíssimo, foi maravilhoso!









Aí veio a parte chata...tentar tirar uma foto sozinha lá hahaha, vontade de jogar aquele monte de turista morro abaixo. Saiam!!! Só quero tirar uma foto! sacanagem isso!

Passeamos por todas as vilelas para conhecer as ruínas de Machupicchu, descemos, subimos, perturbamos brincamos com as llamas e os porquinhos da índia que haviam lá...Foi bem divertido esse dia. Hoje o parque tem 13 llamas e se você estiver com comida por perto, fuja, elas vão querer sua comida haha. Bom, certa hora estava eu correndo atrás das llamas em busca de uma boa selfie hihihi...elas não me aguentavam mais kkkk, todas fugiam de mim. Até que resolvi ganhar elas pelo estômago...Nada que um pacote de waffer não resolvesse. Ta aí embaixo, a tão esperada selfie! O único problema é que ela não sossegou até comer todas as minhas bolachas! Dá para ver os farelos na boca dela.





Fui para um canto descansar na sombra e comer o que sobrou na minha mochila. Adivinha quem aparece e me ataca? hahaha...outra llama! Foi direto na minha pringles aaaahhhhhh sai daquiii! Comecei a berrar, porque a llama não tirava a fuça de dentro do meu pote de Pringles! Eis que eu olho para trás e tem uma meia dúzia de japoneses tirando foto daquela situação....certamente eles nunca viram uma loira sendo atacada por uma llama...foi hilário! Ri demais! Meu estômago doía de tanto rir kkkkk. E devo ter ficado famosa entre eles rsrsrs.

Voltamos a Águas Calientes, e novamente fomos comer pizza...Atormentei o Ricardo, o saguizinho do restaurante hahahaha...ele ficou tão puto comigo que me mostrou a língua ferozmente, tentou atacar, mas ele estava preso, e eu não kkkk...nesse dia meu senso de humor estava bem elevado.


Ricardo puto da vida comigo hehe
Agora sim, de barriguinha cheia pegamos o trem de volta a Cusco. Foi divertido...fizeram muitas brincadeiras dentro do trem, até a Liz dançou com um dos tripulantes da PeruRail. O Alan estava morto, e nada viu...dormiu com a cabeça em cima da mesa. O trem atrasou mais de duas horas...quase perdemos o ônibus de Cusco para Puno. No outro dia descobrimos o motivo do atraso...um terremoto de 7 graus estremeceu Cusco e arredores. Tenso!

Machupicchu foi pra conta! E cumpriu todas as expectativas! Voltei renovada e feliz!