quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pucón - a pequena e encantadora cidade ao redor do vulcão Villarrica




Minha passagem por Pucón foi cheia de emoções...primeiro por ir a uma cidade tão meiga, cheia de charme, dessas que faz o coraçãozinho amolecer mais que paixão de adolescência. Segundo por ser meu porto seguro após um terremoto no Chile. Terremoto? De novo? Pára tudo! Miga sua louca, explica esse história! 
Vou explicar...pelo segundo ano consecutivo, fugi de um terremoto durante uma viagem. No ano anterior, peguei um terremoto no Peru, voltando de Machupicchu, e nessa viagem fugi de um terremoto no Chile! Mas peguei um vulcão em atividade.

Coitado do meu anjo da guarda...sempre passando perrengue! Logo ele se revolta e pede férias!

O meu sumiço e da Liz na nossa chegada em Pucón gerou alvoroço aqui no Brasil. O fato é que um dia antes estávamos em Valparaíso, cidade que foi atingida por um terremoto de 8,4 graus logo que saímos de láDevido as horas de translado de Valparaíso até Pucón, e o tempo dos passeios na cidade, ficamos por várias horas "sumidas" do mundo virtual e de qualquer tipo de comunicação. Estava eu e a Liz em um restaurante, ela tomando seu drink e eu uma cerveja local, até que vimos na televisão a notícia do terremoto em Valparaíso...a cidade ficou destruída, foi triste. Mas nós já estávamos bem longe de lá.
Logo imaginamos que o povo aqui do Brasil estaria preocupado. De fato, conectamos no wi-fi do hostel e o celular travou de tanta mensagem e ligação. O pessoal aqui surtando de preocupação e nós duas super alegres e saltitantes passeando e bebendo!

Bem belas e saltitantes sem saber do terremoto
Chegamos em Pucón com muito frio, -3 graus! Sem contar aquele vento que levava a temperatura mais abaixo ainda. Nos hospedamos no Pucón Hostel. Super recomendo. Você vai pagar um pouco a mais do que os outros, mas nada que uma boa negociação não resolva! O hostel é muito bom. Lá quem nos atendeu foi o Marcelo...um cara gente boa, que falava pelos cotovelos e usava umas roupas bizarras. Dessas figuras que você acha que saiu de uma história em quadrinhos. Nos ajudou bastante, deu várias dicas, mas a gente tinha que fugir dele porque quando começava a falar não parava mais!


Nosso objetivo em Pucón era escalar o vulcão Villarrica. Mas o queridão estava em atividade, logo não foi possível fazer o passeio. Olhar para o vulcão a noite era lindo...dava para ver a parte de cima dele avermelhada. Coisa de filme!
Trocamos a escalada por uma tarde de esqui na base do vulcão...foi lindo, cada tombo histórico, cada situação bizarra, mas ao menos garantiu boas risadas. Esqui é mais um dos esportes que entrou na lista das atividades que eu sou muito ruim mesmo! 
Além do esqui, fizemos um passeio por algumas quedas d'agua e águas termais lá na cidade.


Águas termais

Se tem algo que eu detesto, são esses passeios comprados por empresas locais, o qual você passa por uns 10 hotéis para buscar todo mundo, tem um tempo muito limitado para ficar nos locais e geralmente tem um guia com piadas sem graça tentando agradar. Sempre fujo disso e tento fazer por conta própria, porém dependendo do lugar não tem como. Esse passeio nas águas termais foi um desses casos, o qual precisei comprar em uma dessas agências. O guia de fato era muito chato, mas o passeio até que valeu muito a pena.
Nesse dia compramos um tour por algumas quedas d'agua e águas termais. Considerando que eu moro em Santa Catarina, e temos várias belezas naturais aqui, as quedas d'água não me surpreenderam. Mas a parte das águas termais valeu muito! O lugar é lindíssimo, tem uma boa estrutura e você sai daquela água se sentindo outra pessoa. E a água é incrivelmente quente! Uma delícia! 



Eu e a Liz ficamos um tempão dentro da piscina das águas termais. Depois colocamos toda a roupa, porque estava muito frio fora da água e ficamos passeando pelo local, onde tem uma vista belíssima...e um balanço...você se sente na quinta série de novo...




Esqui no vulcão Villarrica

Já que não foi possível escalar o vulcão, optamos por esquiar...ou melhor, tentar esquiar! Depois desse dia descobri que sou incrivelmente ruim para isso. Mas valeu a brincadeira, meu mal jeito para esquiar rendeu boas risadas para quem assistia. Encontramos uma turma de cinco brasileiros e um alemão, e partimos para o esqui. Não vou mais entrar em detalhes, vejam por si mesmos...assistam o vídeo abaixo e entendam o real significado de vergonheira master e da expressão "Foi assim que Napoleão perdeu a guerra".


video


Na volta do passeio paramos em um barzinho e tomamos um chopp com o pessoal da trip. Para mim, essa é uma das melhores partes de um mochilão...as pessoas, as culturas que conhece.
Depois disso fomos em busca de passagem para San Martin de Los Andes (mais uma cidade super meiga da Patagônia). De San Martín partimos à Bariloche.

Compramos as passagens pela Iggilaima.


 
Pucón ganhou um espaço especial no coraçãozinho da loira aqui. O lugar é uma delícia, lindo demais. O vulcão Villarica cerca a cidade, de qualquer ponto você vê ele bem lindão, coberto de neve. Pucón é uma cidade pequena, pode-se fazer tudo a pé. Para quem procura agito, esquece. A noite de Pucón é bem pacata, no máximo você consegue alguns barzinhos.
Vulcão Villarica ao fundo



Vulcão lindão!



Gastos em Pucón:
O Chile não é um dos países mais baratos da América do Sul. Mas vale cada centavinho gasto, vai por mim! Segue abaixo principais gastos (viagem feita em 2015):
Pucón Hostel: 10000 pesos (pechinchando muito!). Vi gente se hospedando em hostel que custava 7000 pesos, porém não eram muito bons.
Passeio nas águas termais: 18000 pesos
Esqui no vulcão Villarica: 18000 pesos
Alimentação: isso varia do seu gosto e exigência. Eu gastei desde 4500 pesos até 18000 pesos.

Minhas observações sobre o Pucón Hostel:
Você encontra mais baratos, porém pechinchando conseguimos baixar o preço. Super recomendo esse hostel, é bem localizado, limpinho e super confortável. Fica em frente a rodoviária e praticamente na esquina da rua principal de Pucón.



quinta-feira, 30 de março de 2017

Algumas coisas que nunca vão te falar sobre viagens de mochilão



Você sabe quanto custa ver a super lua ao anoitecer no deserto do Atacama? Consegue estimar preço para ver um céu com tantas estrelas e tão próximo a ponto de achar que pode tocá-las com seus próprios dedos? Ou ainda, sabe quanto custa brincar com llamas pelas ruelas de Machupicchu enquanto elas tentam roubar sua bolacha waffer?

Talvez te custe aquela bota de couro que você tanto tá querendo, ou aquela noitada regada a bebida e ostentação...ou ainda aquele carro com cheirinho de novo, aquele mármore lindo na sua pia do banheiro, ou aquele perfume importado que todos a sua volta elogiam.

Talvez você esteja disposto a largar tudo isso para colocar o pé no mundo. Ou talvez você corte apenas alguns gastos supérfluos em troca de uma viagem uma vez ao ano para algum canto que goste. Esse canto pode ser aqui do lado ou do outro lado do mundo. Ou ainda prefira nunca viajar e ter um carro zero super confortável...afinal, o dinheiro é seu e você usa ele da forma que mais te faz feliz.

O que acontece é que a maioria das pessoas que não tem o costume de viajar, se questiona muitas vezes: porque eles gastam tanto com viagem? Isso é dinheiro jogado fora!

Bom...primeiramente, você não precisa ser rico para viajar...se você estiver disposto, pode ficar em hospedagens baratas (hostel, albergue, couchsurfing), comer comidas baratas, ou ainda cozinhar sua própria comida. Não, isso não é um sacrifício e muito menos sofrimento...andar de transporte urbano nas cidades aí afora também não vai te cair um braço!

Mochilão é muito mais que um hobby, muito mais que uma viagem de “modinha”....é um estilo de vida, um estado de espírito, uma conexão fantástica com a natureza e o mundo.

Certamente algumas vezes você terá fome, ou vontade de comer aquela comida maravilhosa do melhor restaurante da cidade...e vá terminar o dia com um prato de miojo. Talvez seus pés reclamem de cansaço, e algumas bolhas te acompanhem pela viagem. Talvez você se meta em furadas, e talvez você não imaginava que aquele hostel era tão ruim a ponto de preferir ficar na rua. Talvez o peso da mochila canse suas costas. Mas seu coração, seus olhos e sua mente nunca se cansarão. 

Nada no mundo vai pagar a emoção que senti sendo pega de surpresa pela super lua ao anoitecer no deserto do Atacama. Nada paga o preço de ver as estrelas do céu do Salar de Uyuni de madrugada, tão próximas aos meus olhos, e sem dúvida o céu mais estrelado que já vi na vida! Foi lindo, mesmo suportando 18 graus negativos no meio do deserto. Ver a borda de um vulcão em erupção à noite, toda vermelha, em uma cidade tomada pelo gelo paga todos os pratos de miojo que já precisei comer. As várias cores do mar do caribe...ahh o mar do caribe...minhas costas até esquecem o peso da mochila. Aquela pessoa que mora do outro lado do mundo, e virou seu melhor amigo ao dividirem uma mesa de hostel para jantar, essa você nunca vai esquecer. Aquele nativo que te ajudou enquanto você estava perdido pelas ruas de uma cidade qualquer e ainda te deu muitas dicas do local, você vai lembrar dos olhos dele até seu último dia. Conhecer tudo sobre a ásia, através do seu colega da cama ao lado naquele quarto com 18 pessoas no hostel, vai fazer você esquecer por hora do conforto da sua cama.

Passei meu último aniversário fora do país, viajando sozinha, longe de meus amigos e família e sem grandes comemorações. Nesse dia apenas fui a um barzinho com mais algumas pessoas que eu havia conhecido a pouco mais de uma hora na sala de estar do hostel. A noite foi tão divertida, as pessoas me trataram tão bem, que parecíamos amigos de uns 10 anos! Teve parabéns em português e espanhol, teve bolo e teve bebida local. Foi um dia feliz e inesquecível.

Viajar te traz sensações, sentimentos e um auto conhecimento que curso nenhum, bem material nenhum vai te trazer. Ninguém veio ao mundo apenas para acumular bens...
Viaje! Veja o mundo com seus próprios olhos, não pelo o que as revistas mostram! Permita-se!

Devaneios de uma quinta-feira a noite...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Torres del Paine! Como foi viver dois dias no modo primitivo e minha quase morte lá


Vou relatar aqui sobre minha ida a Torres del Paine, passeio feito no mochilão de setembro de 2015, na Patagônia.

Não é de hoje que sei dos meus neurônios a menos...e sendo bem franca, sou muito feliz com minhas maluquices...porque de louco e médico todo mundo tem um pouco! E é claro que eu não poderia deixar de fazer alguma loucura lá pelas bandas da Patagônia! Considerando que minha parceira de viagem também tem problemas sérios em fazer bizarrices, boa coisa não ia sair dessa viagem.


Bom, o caso aqui, ao invés de maluquice eu chamaria de aventura e superação de limites. Ao ver as fotos de Torres del Paine e o circuito W, surtei! O lugar é lindo demais... Eu precisava muito conhecer. Mas lendo a respeito de como chegar, as dificuldades que eu teria que passar, praticamente descartei a ideia. Inclusive quando um amigo me perguntou se eu faria a trilha completa, eu respondi: tá doido! São 78 km! Sem conexão nenhuma com o mundo, acampar no meio do mato por cinco dias, fazer pipi no mato, comida escassa, caminhar 78km com uma mochila pesada nas costas, temperatura negativa e ainda correr o risco de ser atacada por um puma e pegar ventos de mais de 100km...Jamais! Sem chance!
...
Pois é...
...
Então...
...
...
...
Mudei de ideia e resolvi fazer a trilha! Aeeeeeeee uhuuuu, eu e minha amiga louca resolvemos fazer.

Muito antes da viagem eu e a Liz já havíamos pesquisado muito sobre o famoso Circuito W e ambas estavam de acordo e preparadas. Sabíamos que não seria nada fácil. Mas fomos em frente. Não sabíamos o quão difícil seria!


Mapa do Circuito W
Um dia antes, passamos no mercado em Puerto Natales e compramos comida para os 5 dias. Calculamos diversas vezes. Estaríamos no meio do nada, se faltasse comida, passaríamos fome...se sobrasse comida, seria um peso extra por 5 dias nas costas. O bagulho começou a ficar tenso! Ao arrumar a mochila e ver que eu estava levando apenas duas mudas de roupa e o resto era somente comida, barraca, saco de dormir, bastões de escalada, fogareiro e demais coisitas necessárias para a trilha, bateu um frio na barriga e uma vontadezinha de desistir. Eu e a Liz nos olhamos sérias sem falar nada. Acho que ambas estavam com o mesmo sentimento. Medo e a certeza de que somos malucas. Nessa hora lembrei da promessa que fiz a minha mãe, de voltar viva.

Chegamos na entrada do parque. A primeira coisa que você tem que fazer é um treinamento de como se comportar se você se deparar com um puma...sim...um PUMA! Cara, eu não quero ter que fugir de um puma haha. Com certeza subornar llamas em Machu Picchu com um pacote de bolacha waffer seria fichinha perto de encarar um puma. Mas ok! Passaram mais algumas orientações, como por exemplo, não fazer fogo, não fazer fogo, e em hipótese nenhuma fazer fogo! hahaha não coloquem fogo em uma das trilhas mais lindas do mundo seus idiotas! Ok, entendido!



O ônibus nos largou na entrada da trilha e o motorista desejou boa caminhada...me pareceu um pouco sarcástico...nossa e que frio na barriga! Agora era eu, Liz e nossas mochilas. 


Olha o sorrisão! Felizona!
Começamos a caminhar...não demorou muito para começar a aparecer os perrengues. Dois dias antes havíamos feito uma trilha em El Chaltén, e nossas pernas ainda doíam. Liz começou a sentir a perna doer logo no início. Andamos mais um pouco e encontramos uma chilena quase desistindo da trilha logo no primeiro quilômetro. O problema dela foi muito fácil de resolver...era apenas a mochila desregulada ao seu corpo. Ajudamos ela a ajustar a mochila e ela seguiu conosco. Muito querida por sinal!

Resolvemos iniciar o circuito ao contrário, pela última "perna" do W, para chegarmos as tão desejadas torres. Se não aguentássemos fazer o circuito completo, ao menos o objetivo principal havia sido alcançado. Porém, a parte das torres é a pior, a mais difícil, aquela a quão você se xinga o tempo todo por ter tido a infeliz ideia de fazer aquilo. E sabe o que é o pior? Não tem como desistir. Você está em meio ao nada, não tem como chamar um taxi e ir embora rsrs.

Subimos 5 quilômetros, muito tensos por sinal. E bendito inventor do bastão de escalada, sem eles teria sido impossível chegar lá. Tivemos sorte de não encarar os tão temidos ventos de 100km/h da Patagônia. Passamos por lugares, que se batesse vento, não haveria chance de não cair do barranco. 



Chegamos ao acampamento mortas com farofa. E aí sabe o que descobrimos? Tchanammmm...o acampamento estava fechado. Estávamos fora de temporada...P@$&@! Sem banheiro, sem água, sem privada, sem luz...só nós e o mato! Não tínhamos opção, montamos a barraca ali mesmo. Montar aquela barraca toda esquisita foi mais difícil que tirar calça jeans molhada ou procurar uma virgem de 20 anos! Andrea, a chilena que estava com problemas com a mochila lá no início nos ajudou e demos jeito de montar a barraca. Fez muito frio nessa noite, quase congelei.


Nosso acampamento
Nossa intenção era acordar as 4 da manhã e seguir rumo as Torres, com o objetivo de chegar lá antes do nascer do sol e ver o espetáculo do sol transformando as torres em barras de ouro. Um casal que foi um dia antes já havia nos aconselhado a não fazer isso, pois a trilha é muito difícil e mal demarcada. Acordamos as 4 da madrugada, mas a temperatura estava negativa e chovia. Esperamos o amanhecer...

Do acampamento dava para ver as torres lindas! Com o sol batendo! Que espetáculo! E que vontade de estar lá. Arrumei a mochila e parti junto a Liz e a Andrea. As câimbras da Liz continuavam e ela e Andrea resolveram ir mais lentamente tirando fotos. Eu parti sozinha.


As Torres brilhando feito ouro
Andei os três primeiros quilômetros de subida. Foi difícil, mas suportável. Até que cheguei a uma placa que informava que faltava um quilômetro. Agora a p@$&@ ficou séria!




Gente! Quando me falaram que dava vontade de morrer no último quilômetro, não era mentira! E para ajudar eu ainda me perdi da trilha. Que tenso! Meu corpo doía muito e o desespero começou a bater na hora que eu me afundei na neve até metade da coxa. Perdida da trilha, é claro! Loira, tansa e teimosa, tem que se ferrar mesmo! Olhei para baixo e me deu 7 tipos diferentes de ruim em ver onde eu estava...afundada na neve, em um lugar super íngreme e qualquer outro passo em falso já era para mim. Lembrei da promessa que fiz a minha mãe de voltar viva. Olhei para todos os lados e não havia ninguém por perto que pudesse me ajudar. Foi quando pensei, ainda bem que estou com uma luva rosa pink, vai ser fácil de encontrarem meu corpo na neve rsrs! Que tenso!

As torres estavam muito perto, aproximadamente a 500 metros de onde eu estava. Mas se eu seguisse por aquele caminho colocaria minha vida em risco. Resolvi voltar a passos de tartaruga com o máximo de cuidado e quase chorando de não conseguir chegar ao meu objetivo. Saí da neve, onde era minha zona de perigo. Voltei seguindo o caminho de um rio em meio as pedras até que...achei a trilha de novo! Lá estavam as marcações! FDP de quem fez essas marcações meia boca, devia estar bêbado ou chapado! Rá! Chupa sociedade! Voltei a subir, agora prestando mais atenção a trilha. Porém, as marcações são realmente muito ruins! Me perdi de novo. Mas dessa vez voltei logo que vi que me perdi e achei a trilha novamente. Consegui ir mais longe dessa vez e vi algumas gringas, que de longe que me apontaram o caminho correto. Eu olhava as torres brilhando e as nuvens se aproximando, repetia o tempo todo, me esperem brilhando suas lindas! Nuvens, saiam daí!!

Eu cheguei até as Torres! Depois do susto e tamanho esforço, a vontade foi de chorar. O lugar é lindo demais. Eu estava exausta, assustada e imunda! Fiquei por uma meia hora sozinha, sentada na beira do lago congelado, eu e as torres, admirando aquele espetáculo da natureza. Cada vez que caía uma pedrinha das torres, o barulho que fazia no lago congelado era assustador. As nuvens infelizmente chegaram antes de mim até as torres, mas mesmo assim não tirou a beleza do lugar. Minha admiração foi tanta que quase esqueci de tirar fotos.



Resolvi voltar, com sensação de dever cumprido e alma lavada. Durante a descida encontrei a Liz e a Andrea subindo. Dei algumas orientações, para que elas não fizessem a mesma burrada que eu. A minha empolgação era tanta que fui descendo e não demorou para eu cair o primeiro tombo...no rio. Levantei, peguei meus bastões e continuei. Caí mais um tombo. Bem minha cara mesmo! E veio o terceiro tombo, e o quarto hahaha. Nesse último, um casal de brasileiros me ajudou a levantar, já que eu havia me machucado com os bastões na queda. Cheguei no acampamento suja, cansada e toda ralada, mas felizona...sorriso de orelha a orelha. Desmontei a barraca, arrumei as mochilas e fiquei descansando, esperando a Liz voltar.

Eu estava viva...e cheguei até as torres! Não queria mais nada além disso, e um prato de miojo!

Ojala!

PS. apenas por curiosidade, não fiz o circuito completo. Muitos acampamentos ainda estavam fechados e perderíamos muitos dias em Ushuaia, que era um dos nosso principais destinos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Machupicchu - lugar cheio de mistérios e dono de uma energia renovadora



Sabe aquela data que você aguarda ansiosamente? Pois é, o dia de conhecer a famosa e misteriosa Machupicchu havia chegado. Lá estava eu e meus companheiros de trip aguardando o trem que nos levaria até Águas Calientes, de onde posteriormente pegaríamos rumo a Machupicchu. Depois da minha estadia louca em Cusco, fui dormindo o trajeto todo (são aproximadamente 3 horas de trem de Cusco a Águas Calientes). Lá estava eu babando igual criança pequena, toda torta no banco do trem. Perdi de apreciar boa parte da paisagem, o trajeto é lindíssimo, porém meu corpo implorava por umas horinhas de sono. Fui dormindo.

Chegamos em Águas Calientes. Deu um friozinho na barriga pensar que eu estava tão perto do meu tão aguardado destino. Fazia calor, e a cidade é bem interessante. Não há carros, nem motos, somente o trem e os ônibus que fazem o trajeto de Águas Calientes até a entrada do parque de Machupicchu. Então você pode andar tranquilamente pelas ruas da cidade sem medo de passar uma moto a mil por você, ou ter que olhar para os lados para atravessar uma rua. É agradável. Além disso, a cidade é uma ladeira. Dica: deixe de preguiça e suba as ladeiras se quiser economizar dinheiro. A medida que você vai subindo, percebe que o preço dos restaurantes vai baixando..#ficadica!


Águas Calientes

Sem carros, sem motos...somente o trem!

As ladeiras de Águas Calientes
Como todo bom mochileiro, estávamos pechinchando tudo. Nos hospedamos em um hostel bem baratinho (Hostel Joe Inn) e com a falsa promessa de água quente e silêncio. Mais uma vez mentiram para nós haha...o hostel era barulhento e a água do chuveiro parecia água de geleira. Cada um que ia tomar banho xingava meio mundo. Chegava a ser engraçado...mas ok, estávamos indo a Machupicchu, então tá valendo!

A noite comemos pizza em um restaurante bem aconchegante. Havia um sagui nesse restaurante, chamava-se Ricardo. Eu adoro perturbar os bichinhos, mas nesse dia me contive hehe.

Ricardo, o sagui
No dia seguinte acordamos cedinho e as seis horas da manhã chegamos na fila para pegar o ônibus até o parque (e a fila já estava gigante). Gente....não façam essa besteira! Não tem porque querer chegar tão cedo. O parque não vai fugir de ninguém, tá a muitos anos lá paradinho, logo, não há motivo para pressa! Hoje eu iria bem mais tarde. Todos querem ir cedo..é uma muvuca! Você quer tirar uma foto e tem cinquenta pessoas atrás...ahhhh vá! É um saco! Definitivamente, você não precisa ir tão cedo. Depois do meio dia o parque esvazia muito e dá para fazer tudo sossegado. Deixe de ser ansioso e aproveite mais a sua cama quentinha. Meio período é suficiente para conhecer o parque. 

Gente...resumidamente...COMO CHEGUEI EM MACHUPICCHU: se não é seu objetivo fazer as trilhas, que duram em média 4 dias de caminhadas, há uma forma super tranquila de chegar em Machupicchu. Trem e ônibus. Eu estava em Cusco, de lá peguei o trem até Águas Calientes (mais ou menos 3 horas de viagem). Dormi em Águas Calientes e no outro dia de manhã peguei o ônibus da Águas Calientes até a entrada do parque. O ônibus te deixa na entrada! Não tem erro! Super fácil. Apenas uma dica, compre o trem com bastante antecedência (meses antes). E claro, tenha já comprado com muita antecedência a entrada no parque, pois há limite de 2500 visitantes por dia.

Bom..vamos ao que interessa. Chegamos na entrada no parque e contratamos uma guia. Eu super recomendo...os guias cobram um valor fechado para duas horas, então você pode se juntar com mais gente e não fica pesado para ninguém. Visitar Machupicchu sem conhecer a história daquilo tudo, não tem o menor sentido. Será mais um monte de pedras que você vai ver, falando grosseiramente. Dá para carimbar o passaporte na entrada do parque...é uma bela recordação!

Entramos e lá estava...nossa...que frio na barriga...realmente é incrível! Lá estava Machupicchu diante dos meus olhos...que sensação mágica estar em Machupicchu, e não tem como negar, o lugar ter uma energia diferente, de arrepiar...só estando lá para sentir. Machupicchu é realmente tudo que vemos na internet, revistas e tals...e eu fui em um dia lindíssimo, foi maravilhoso!









Aí veio a parte chata...tentar tirar uma foto sozinha lá hahaha, vontade de jogar aquele monte de turista morro abaixo. Saiam!!! Só quero tirar uma foto! sacanagem isso!

Passeamos por todas as vilelas para conhecer as ruínas de Machupicchu, descemos, subimos, perturbamos brincamos com as llamas e os porquinhos da índia que haviam lá...Foi bem divertido esse dia. Hoje o parque tem 13 llamas e se você estiver com comida por perto, fuja, elas vão querer sua comida haha. Bom, certa hora estava eu correndo atrás das llamas em busca de uma boa selfie hihihi...elas não me aguentavam mais kkkk, todas fugiam de mim. Até que resolvi ganhar elas pelo estômago...Nada que um pacote de waffer não resolvesse. Ta aí embaixo, a tão esperada selfie! O único problema é que ela não sossegou até comer todas as minhas bolachas! Dá para ver os farelos na boca dela.





Fui para um canto descansar na sombra e comer o que sobrou na minha mochila. Adivinha quem aparece e me ataca? hahaha...outra llama! Foi direto na minha pringles aaaahhhhhh sai daquiii! Comecei a berrar, porque a llama não tirava a fuça de dentro do meu pote de Pringles! Eis que eu olho para trás e tem uma meia dúzia de japoneses tirando foto daquela situação....certamente eles nunca viram uma loira sendo atacada por uma llama...foi hilário! Ri demais! Meu estômago doía de tanto rir kkkkk. E devo ter ficado famosa entre eles rsrsrs.

Voltamos a Águas Calientes, e novamente fomos comer pizza...Atormentei o Ricardo, o saguizinho do restaurante hahahaha...ele ficou tão puto comigo que me mostrou a língua ferozmente, tentou atacar, mas ele estava preso, e eu não kkkk...nesse dia meu senso de humor estava bem elevado.


Ricardo puto da vida comigo hehe
Agora sim, de barriguinha cheia pegamos o trem de volta a Cusco. Foi divertido...fizeram muitas brincadeiras dentro do trem, até a Liz dançou com um dos tripulantes da PeruRail. O Alan estava morto, e nada viu...dormiu com a cabeça em cima da mesa. O trem atrasou mais de duas horas...quase perdemos o ônibus de Cusco para Puno. No outro dia descobrimos o motivo do atraso...um terremoto de 7 graus estremeceu Cusco e arredores. Tenso!

Machupicchu foi pra conta! E cumpriu todas as expectativas! Voltei renovada e feliz!











sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cusco - Amor eterno por essa cidade



Gente!!! Cusco é uma cidade maravilhosa! E tem muito o que fazer por lá, sem contar que em geral antecede a chegada na tão esperada Machupicchu! Foram cinco inesquecíveis dias, e com hospedagem no nosso querido hostel Wild Rover.

A viagem de Ica (Oásis de Huacachina) até Cusco foi longa, cansativa e enjoativa...no real sentido da palavra. Muitas pessoas passaram mau durante a viagem, muito provável pelas diversas curvas do caminho. Liz e Érica passaram realmente muito mau, e chegou hora de ter fila para usar o banheiro do bus e chamar o hugo. Foram 15 horas de viagem, aproximadamente. Mas enfim chegamos a Cusco! Linda!!! Perfeita!!! Inesquecível!!!

Chegando no Wild Rover, encontramos nossos queridos amigos brasileiros, já citados nos relatos anteriores. 
Depois de um banho e janta, desci até onde havia uma mesa de ping pong e alguns sofazinhos, para dar uma relaxada. Em seguida minha amiga joinvilense Jaque, que estava morando temporariamente em Cusco, foi ao nosso encontro no hostel...aeeeeee grande Jaque! Sem dúvida uma das pessoas mais corajosas que conheço...porque largar tudo para conhecer o mundo, não é para qualquer um! 


Eu, Jaque e mojitos no MilHouse
Acompanhei a Jaque até o hostel MilHouse, seu lar temporário. Imagina se não tinha brasileiro lá hahaha...claro né, lá estavam as tartarugas ninjas (entendedores entenderão! Ou quem acompanha o blog também!). Claro que já fiz algumas amizades por ali (é porque sou uma menina super tímida, travada e calada, só que não hehe! Aliás, to tentando lembrar em que parte da minha vida eu virei num alho porra louca desse jeito perdi tanto a timidez rsrs)...entre mojitos, e algumas doses de tequilas, resolvemos voltar ao Wild Rover e carregamos alguns brasileiros que estavam perdidos no MilHouse. Nos divertimos horrores nessa noite! Com nossos amigos brasileiros recém chegados e com os demais que já estavam no WR.



Resolvemos ir a outro hostel badalado da cidade, o Loki. Para entrar precisava dar o nome de algum hóspede. Todos eram amigos da Carol (não me pergunte que era Carol! Aliás, ninguém sabia, inventamos qualquer nome na hora hehe). Enfim, a festa no Loki estava una mierda e voltamos para o WR. Lembro de uma menina dançando loucamente em cima do balcão, mais louca que o Batman, de saia de mamãe noel. Hilário! E ela fez essa performance por mais umas três noites consecutivas kkkkk 
Do WR fomos para a balada Mama África, nós brasileiros e mais dois israelenses que se juntaram a nós. Tava um frio danado! Mama África estava super cheia. Meu chapéu fiel companheiro de balada desde Arequipa fez sucesso lá. E dale engov! 

Despesas do dia:
Despesas: 
Taxi  R$ 3,00
Bebidas e balada R$ 21,50
TOTAL R$ 24,50


Segundo dia - Circuito religioso em Cusco, dia de conhecer as incríveis igrejas da cidade


Apesar da noite anterior ser super agitada, o engov salvou meu dia! Tirando o fato de eu estar com a roupa do dia anterior, inclusive de ter dormido com o chapéu que usei na balada, estava zerada! A zoação foi longa rsrs

Nesse dia resolvemos conhecer um pouco mais Cusco, bater perna mesmo...e vou te contar hein...bater perna a 3400 metros de altitude, não é nada fácil! Chega uma hora que você acha que o coração vai sair pulando pela boca. Fizemos também o circuito religioso. Você pode comprar o ticket para visitar todas as igrejas na própria catedral de Cusco.
Mas antes de qualquer coisa, estávamos a caça de comida...até que Pablo, um garçom figurassa que trabalhava no restaurante Salvatore (super recomendo), nos abordou de forma engraçadíssima. E lá fomos nós. De entrada, um legítimo Pisco Sour!


Pablo! Figurassa!
Agora sim, de barriguinha cheia e levinhos por conta da altitude x pisco sour, fomos passear pela Plaza de Armas e compramos os boletos para o circuito religioso. Cusco é uma cidade bonita e sua arquitetura é bem conservada. Para terem noção, lá a placa do MC Donald's não é amarela e vermelha e sim cinza! Tanto que por um três dias passei em frente sem perceber, mas também quando descobri o MC foi só alegria hehehe.
tudo para evitar a "poluição visual" e conservar o estilo da cidade.

Um pouco de história: a catedral de Cusco foi construída pelos espanhóis em cima de um templo Inca. Ironicamente ou não, a catedral foi destruída três vezes por terremotos...estranho né! 
Os Incas construíram toda a cidade de forma que não fosse abalada pelos rotineiros terremotos (eu inclusive, presenciei um terremoto de 7 graus, mas como estava em um trem, praticamente não senti). Aí você anda pela cidade e vê a parte de baixo das casas com aquelas pedras todas encaixadas perfeitamente, feita pelos incas, e na parte de cima, a arquitetura dos espanhóis...bem mais simples e aparentemente mais frágil.


Construções das casa de Cusco

Tour pelas igrejas: a catedral é lindíssima..por dentro ouro, ouro e mais ouro! Proibido tirar fotos! Vai ficar somente na memória. Lá as igrejas não são abertas para entrar a qualquer horário e visitar. Você precisa pagar. A não ser em horário de missa, aí você consegue entrar. Com o boleto integral do circuito religioso, você pode visitar as seguintes igrejas: Catedral, Templo del Triunfo, Templo de la Sagrada Família, Templo de San Blas, Templo de San Cristóbal e o Museo Arzobispal. Eu recomendo, vale a pena! 


Catedral


Templo de San Blas



Templo San Cristóbal
O templo mais difícil de chegar foi o San Cristóbal, pois você tem que subir morros e mais morros, ladeiras íngremes, e isso tudo somando a altitude da cidade, fica bem difícil. Haja perna e fôlego. Mas vale a pena, vá até lá, pois lá de cima você vê toda a cidade. Apenas cuidem com as cholas que estão com as llamas. Eu estava tirando foto da llama, disfarçadamente (pois elas cobram pelas fotos) até que a chola se deu conta hahaha...me olhou tão p#!@ da cara que parecia que estava me jogando uma macumba hahaha...deve ser por isso que até hoje eu só me meto em encrenca e só se aproximam de mim os "cacos"...culpa daquela chola sem vergonha!


Ladeiras e mais ladeiras
Vista da cidade, em frente ao templo San Cristóbal

Curiosidade: o consumo de coca é comum no Peru também. Em Cusco há até um museu da coca, inclusive com receita de como fazer cocaína! Rááá, vê se pode isso! Foi super interessante entender como a coca interferiu e interfere até hoje na cultura local. Lá é muito comum, no café da manhã tem, no mercado tem, na tenda da tiazinha da esquina tem para vender. Enfim...é coca para todo lado, e não dá nenhuma pira! Só alivia os efeitos da altitude.
Dentro das igrejas é até engraçado...por exemplo, você vê o quadro da santa ceia, com Jesus e todos os discípulos com a bochecha grande, cheia de coca. E no meio da mesa, o cuy, que é como posso dizer...um porquinho da índia que eles comem lá. Aí você passeando pela igreja olha uma escultura de Jesus, negro e com a bochecha cheia de folha de coca...aí ainda dizem que eu que sou vida louca hahaha


A noite no Wild Rover foi mais uma daquelas...aliás, Cusco é uma cidade com uma vida noturna intensa...top demais!
A Jaque apareceu no WR e jogamos sueca novamente. Sueca com pisco! Ecaaaa...certa hora a Jaque já estava mais louca que o Batman e foi embora. 

Depois vieram o Henrique e Renan para jogar sueca conosco. Como os dois não bebem, ao invés disso tinham que pagar mico...Rá! Foi dancinha, foi bulinação com desconhecidos, tiveram até que dançar com umas fantasias toscas que tinha lá no pub rsrsrs. Papai noel fez sucesso nesse dia! 
Logo, surgiu um australiano, que também já estava pra lá de bagdá (bem prá lá de bagdá, diga-se de passagem)... e foi a zueira da noite. No fim da noite estávamos todos com a cara pintada, com uma tinta fluorescente que estava rolando por lá. Ficamos horríveis! Cheguei no quarto e fui limpar e rosto...adivinha?? Não tinha água! Porra, que bosta! E agora??? Dá-le lencinho umidecido hehehe. Partiu dormir!


O australiano maluco em cima de um amigo nosso hahaha..eu disse que papai noel fez sucesso nesse dia!
Fim de sueca!
Despesas do segundo dia:
Alimentação e bebidas R$ 48,00
Passeio igrejas R$ 24,00
TOTAL R$ 72,00


Terceiro dia - Free Walking Tour

O mais difícil durante minha estadia em Cusco era acordar sem ressaca...que tenso...agarrei minha garrafa de 2L de água e partimos a procura do free walking tour. Liz estava muito mau do estômago e ficou no hostel, com piriri. O free walking tour funciona da seguinte forma...você encontra os guias na praça central as 10 horas da manhã (eles usam umas camisetas rosas bem chamativas, é fácil encontrá-los), e fazem um passeio pelos principais pontos da cidade, a pé mesmo, explicando toda a história e curiosidades do local. Vale muito a pena...você paga o que pode e sai de lá com uma baita bagagem de informação. Inclusive ao final do passeio nos mostraram um dos melhores e mais baratos restaurante de Cusco. Foi lá que peguei a receita original de Pìsco Sour. 
Paramos também na casa de um senhor que fabrica instrumentos musicais. Super bacana! Segue algumas fotos.


O tiozinho tocando música local para nosotros! Fabricação dos instrumentos: ele mesmo!

Gente de todo canto do mundo reunidos no free walking tour

Eu perguntando algo, ou mais provável, fazendo alguma piadinha hehe


No retorno, paramos para comprar alguns artesanatos (comprei um super álbum de fotos, de couro coisa mais linda omg!) e fizemos um lanche no MC Donald's....ai comida, comida, meu estômago pedia enfurecidamente hehe. Chegamos mortos ao hostel. A Liz ainda estava lá de piriri passando mau, vestida com seu pijama de doente. Alan e Érica foram dormir. Eu juntei minhas últimas forças e fui ao pub do hostel com a Jaque, que também logo se foi. No fim sobrou só eu arroz de festa no pub. Mas vou te dizer...fiz tanta amizade nesse dia, me diverti tanto que valeu a pena! Até esqueci do cansaço. Vira e mexe eu vejo postagem em meu facebook de gente com nome estranho haha...pessoas que se conhece em viagem. Consegui uma breve comunicação com o barman do pub (ele não entendia uma palavra que eu dizia)...foi mímica, desenho em guardanapo e aí por diante. Rendeu boas risadas hahaha. Lembra da menina que fazia performance com saia de mamãe noel? Comentei no início do relato...pois é, lá estava ela de novo kkkkk louca como sempre! Jesus, salva essa alma! hahaha


Despesas do terceiro dia:


Free Walking Tour R$ 28,00
Alimentação R$ 22,00
Artesanatos R$ 82,00
Passeio Vale Sagrado R$ 22,00
TOTAL R$ 154,00


Quarto dia - Vale Sagrado, Pisaq e Ollantaytambo

Gente! Para tudo! Acordei SEM ressaca nesse dia! Uhuuuuullll! Virei gente hahaha...acordei super bem e fui a primeira a pular da cama. 

Neste dia fizemos o passeio pelo Vale Sagrado, Pisaq e Ollantaytambo...preparação para MachuPicchu! O lugar é simplesmente incrível...e vou te falar...os Incas eram foda! Usavam tecnologia melhor que muito engenheiro dos dias de hoje. É incrível pensar como eles sabiam exatamente em que dia, mês e ano estavam apenas pela posição que o sol aparecia entre as montanhas...e como encaixavam aquelas pedras gigantes de forma tão perfeita! E tudo isso está lá de pé até hoje! Perfeito, intacto, apenas sem o ouro que eles usavam somente para a finalidade de decoração e que os espanhóis fizeram questão de roubar! Você se sente uma formiguinha diante de todo monumento criado pelos incas.

Eu já estava surpreendida com esse lugar...mau sabia eu que o melhor ainda estava por vir, MachuPicchu. Simplesmente de arrepiar!


Pisaq


Conseguem ver o desenho do Inca na montanha?

Ali o Inca ó! Ali no meio!
Depósito de alimentos, no meio da montanha....os caras gostavam de subir montanha, caraca...



Galera da trip!

Templo do Sol...pega o encaixe perfeito dessas pedras!




Já imaginam como foi a noite né....hahaha e essa foi do caralho!!! muito boa!!! Embora tenha dado até caso de polícia aí no meio...
Chegamos ao pub do hostel e o pessoal que trabalhava lá estavam todos fantasiados. Era gente de todo canto do mundo, em um lugar tão pequeno! Encontramos lá até um francês, o Raphael, que conhecemos em Ica, no Oásis de Huacachina. O cara ficou me cantando e disse que queria ter dez filhos comigo...isso mesmo, DEZ FILHOS tomanocu!. Nos dias de hoje, quem faz uma proposta dessas? Óbviamente fugi louca do cara né, tá me achando com cara de quê, ô maluco?

Bom, eu fiquei no Pub e a Liz foi à boate Templo...chegamos juntas no quarto, já era quase dia...ela enlouquecida porque tinha sido roubada por um taxista e queria que eu fosse com ela até a delegacia dar depoimento (porque só eu ali falava espanhol). Na boa, eu tava torta demais para ir a qualquer lugar hahaha...se eu fosse na delegacia eles iam me prender por ter nascido kkkk. 

Fui dormir e logo cedo tratamos de ir a delegacia...mais detalhes a diante.

PS. a doidinha do meio aí da foto debaixo é a Liz (mais louca que o padre do balão). A do pijama, que estava de piriri, lembra que falei? Pois é, quem quiser dar umas boas risadas com as postagens dela, super recomendo o blog https://podesurtar.wordpress.com/


Festa a fantasia no pub do hostel



Despesas do quarto dia:


Ticket circuito Vale Sagrado R$ 56,00
Alimentação R$ 33,00
TOTAL R$ 89,00


Quinto e último dia - Polícia, ressaca e sopa de doente

Podem retirar os elogios por eu ter acordado sem ressaca no dia anterior...porque nesse dia não foi assim...que doooooorrr de cabeça...e eu ainda precisava ir até a delegacia com a Liz. Nem o engov conseguiu me devolver a vida rsrsrs

Juntei meus restos de pessoa, levantei e fui...cheguei na frente da delegada quase me passando kkkk, fui umas três vezes ao banheiro e voltei...força Luisa! Enfim...o fato foi que a Liz recebeu uma nota de 100 soles falsa, de um taxista (100 soles é tipo uns 90 reais). Como ela havia tirado foto da placa do carro, resolvemos prestar depoimento. Sabíamos que não teria como reaver o dinheiro, mas era simplesmente para dar um susto no safado do taxista. E lá mesmo na delegacia, havia mais um casal prestando depoimento contra taxista também. Então fica a dica, cuidado com os taxistas! Nada de deixar câmera, celular e outros objetos de valor dando sopa, e pague o taxi de preferência com dinheiro trocado para não receber uma nota falsa de troco.

OBS: Fica aqui meus elogios a polícia de Cusco...nos trataram super bem, apesar de meu estado lastimável, e depois de 3 meses nos deram retorno do caso...prenderam o taxista! Sim, a polícia lá tem meus parabéns! O taxista queria devolver o dinheiro, a Liz quase mandou a delegada mandar ele enfiar no @&!

Bom, além de dar depoimento, não fiz nada demais nesse dia. Voltei ao hostel e passei o dia dormindo, curando a ressaca. Tomei a pior sopa da minha vida! Sério! Saudades da sopinha da minha mãe naquela hora, carai!

No final da tarde encontrei a Eugênia e companhia lá no hostel...demos boas risadas! Não tem como não rir com ela hehehe.... Como estava de saída, me despedi da minha amiga Jaque, e de todos do hostel (porque nessa altura do campeonato, eu já conhecia todos!). Voltei para o quarto para arrumar minha mochila, e adivinha??? O pessoal do bar foi lá no meu quarto me puxar pro bar hahahaha....tive que descer e passar uma horinha lá com eles. E ainda tive que ensiná-los a sambar! Ai santo, me ajuda hahaha

Fui dormir cedo (cedo tipo as 2 da manhã), e seis horas estava partindo rumo a MachuPicchu...uhuuuullll!


Cusco, sua linda, deixou saudades eterna...espero um dia ainda voltar. Partiu para MachuPicchu!


Despesas do quinto dia:


Lavanderia R$ 3,00
Alimentação R$ 23,00
Farmácia R$ 14,00
Passagem para Puno R$ 32,00
TOTAL R$ 72,00

Sobre o hostel: nem preciso falar nada sobre o Wild Rover né...super limpo, comida boa (com exceção da sopa), confortável e barato...e muita festa, então se você quer sossego, fuja desse hostel hehehe, Super recomendo!